O Sábado era ou não guardado antes do êxodo?

by Allan Swart which

Uma possível dificuldade em responder essa pergunta reside no fato de não haver um texto específico indicando que o sábado deveria ser guardado antes da apresentação da lei no Sinai. Entretanto, essa exigência se mostra não obrigatória pois há outras informações bíblicas que não possuem uma descrição explícita, mas ainda assim são tidas como verdadeiras pela simples inferência lógica obtida de outros textos. Vejamos por exemplo o caso de Caim que fora condenado por assassinato (Gn 4:7) mesmo que não há registro bíblico de uma lei contra matar alguém. Seria então a idolatria aceitável antes do Sinai, já que a lei escrita advertindo contra essa prática não havia sido apresentada? Em acréscimo a isso, podemos pensar sobre os anjos que pecaram quando não havia registro escrito de lei (II Pe 2:4). Na mesma linha de pensamento, como condenar o pecado de Adão (Rm 5:12-14), dos sodomitas (Gn 13:13) e Ló (II Ped 2:8), sendo que o pecado é descrito como a transgressão da lei (I Jo 3:4)? O próprio Paulo afirma que onde não há lei não há transgressão (Rm 4:15) e que pela lei vem o conhecimento do pecado (Rm 3:20). Sendo mais específico, junto a Tiago, Paulo deixa claro que a lei a que se refere são os dez mandamentos (Rm 7:7; Tg 2:911).

Contudo, aqui caberia outra pergunta: Como, mesmo não estando escritos, os dez mandamentos poderiam ser aplicados como lei vigente? Nesse momento um exemplo da história caberia bem. Na Inglaterra, por muitos anos, a lei usada nos julgamentos era conhecida como “lei comum” ou “direito consuetudinário”, a qual não estava escrita. O conhecimento sobre essa lei era passado de forma oral pela cultura e a não existência de algo escrito não dava o direito a alegação de não ser um código conhecido. Dessa forma, os cidadãos ingleses foram julgados por uma lei não escrita durante muitos séculos. Nesse contexto poderia então haver uma pergunta quanto a lei dos dez mandamentos: Onde ela estaria registrada? O texto de Romanos (Rm 2:14 e 15) demonstra que as pessoas podem ser julgadas pela lei escrita em seu coração, mesmo quando não tem conhecimento objetivo, por exemplo na forma escrita, da lei. Portanto, a menos que reconheçamos a validade das leis não escritas, estaríamos acusando Deus de ser injusto ao condenar os pecados do povo antes do êxodo.
Seguindo o raciocínio de alguém que continue a questionar o sábado como um mandamento, mesmo antes destes serem escritos nas pedras, poderíamos perguntar: Por quê então Deus decide apresentar esse texto ao povo de forma escrita, já que havia uma lei no coração? Aqui é importante considerar o que estava acontecendo naquele contexto. Deus estava construindo uma sociedade que o representaria em diversos aspectos, sejam culturais, religiosos, hábitos de higienes, leis, sistema de adoração, sistema jurídico e etc… Por conseguinte, era importante esclarecer precisamente os parâmetros legislatórios. Mas, talvez, a razão mais forte para Deus apresentar sua lei moral de forma escrita, seria o grau de distanciamento que esse povo, base para construir a nação que apresentaria sua verdade ao mundo, estava de Deus. Foram mais de 400 anos vivendo em um regime de escravidão e por isso de decadência moral, intelectual e religiosa. Se hoje, basta uma geração para esquecermos os traços distintivos de nossa cultura, imagina quatro gerações, aproximadamente. Em resumo, a grandeza do propósito e a degeneração do povo levaram Deus redigir sua lei na forma escrita.

Nesse momento, alguém que ainda mantivesse a objeção inicial sobre a validade da ordem de guarda do sábado antes do êxodo, poderia afirmar que o sábado possuísse um caráter diferenciado de outros mandamentos. Por essa razão, os outros, como não matar, não furtar, ou adorar outros deuses, eram válidos anteriormente antes da compilação escrita, enquanto que o sábado não. Mesmo considerando um tanto forçosa essa linha de pensamento pelo fato de não haver evidências que indiquem que o sábado era diferenciado dentro do decálogo, podemos avaliar algumas evidências bem contundentes que se harmonizam com o argumento construído nesse texto. Em Gênesis (Gn 2: 2 e 3) vemos que o Sábado é distinguido dos outros dias da semana por Deus escolher esse dia para descansar e, a partir dessa ação, o abençoa e santifica. Desta forma o sábado possui os atributos da benção e santificação que o distingue dos outros dias. Nesse momento poderia haver a afirmação de que isso não implicava que o homem deveria guardar o sábado. É uma alegação um tanto estranha, sendo que o mesmo Deus que teve um comportamento diferenciado quanto a esse dia utiliza tal comportamento como base argumentativa para justificar a guarda do sábado (Ex 20:11). Por que essa justificativa seria válida após o Êxodo, mas não para a guarda do sábado antes? Aqui o correto deveria esperar que fossem apresentadas evidências bíblicas tão fortes quanto a alegação feita.  

 Outro ponto que é contrário a interpretação de o sábado não ser válido antes de Moisés é a forma de comunicação entre Moisés e o povo quando do episódio do Maná (Ex 16: 22-30). O caráter da comunicação não é de apresentação de algo novo, mas é uma comunicação direta, como uma reafirmação de algo que o povo já conhecia, mesmo que não praticava. O que estava acontecendo era o resgate de uma norma perdida por muitos. O vínculo motivacional é direto com a criação. Mesmo que em Deuteronômio haja o acréscimo de outra justificativa, a libertação do cativeiro egípcio, as duas motivações se somam, não se anulam. O sábado passa a ser uma alusão a criação e a redenção, ambas executadas por Deus de forma literal.

Portanto, a apresentação do sábado no início da criação, a prevalência dos dez mandamentos ao longo da história, mesmo antes de serem escritos, a vinculação motivacional do sábado do decálogo com o descanso de Deus e a forma como Deus cobra de seu povo a guarda do sábado demonstram que este era válido antes do êxodo.

Baseado no capítulo 3 do livro “Respostas a objeções” de Francis D. Nichol, da Casa Publicadora Brasileira.

A ressurreição da esperança!

Essa pandemia vai passar? Teremos paz algum dia? Seremos pessoas melhores depois de tudo isso? A felicidade plena será possível? Um dia, a dor de ver os amados morrendo acabará? A julgar pela história humana de luta após luta, parece que não. Pois, mesmo que a pandemia passe, outra dor virá. Caminhamos em uma estrada árida nos alimentando com esperanças passageiras que, tal como algodão doce, se dissolvem.

Como precisamos desesperadamente de uma certeza! O nosso grito é apenas: Chega de sofrer! Me deem uma certeza, por favor! Pois bem, isso foi feito! Deus desceu a um mundo sombrio, Se fez um de nós, trilhou nossa jornada, mas da forma certa, para nos mostrar o caminho. E quando Ele ressuscita, é como abrir a porta de um quarto escuro permitindo que a luz do sol entre e nos acorde para a grande verdade de que a felicidade está ao nosso alcance!

A ressureição é a prova de que podemos ressuscitar de uma vida morta de esperança, mastigada pelas dores da luta e desesperada para respirar em um mar de lágrimas.

Tudo é relativo?

Relativismo - Definição, conceito, significado, o que é Relativismo

A versão relativística do relativismo.

Temas como verdade, política, religião e felicidade são vistos como assuntos que não devem ser debatidos, pois são completamente dependentes do ponto de vista, portanto relativos. Sendo assim, a distinção entre o que é certo e errado passou a ser tão subjetiva que o único conselho aceitável é “Se te faz feliz, siga em frente, apenas não venha impor sobre mim sua forma de ver a realidade. Afinal, todos os pontos de vista são equivalentes e igualmente corretos. ” Essa postura é um símbolo da visão de realidade pós-moderna, onde a única verdade que sobrou foi aquela que afirma não haver verdade.  Bom, eu não sei se tal maneira de ver a realidade tem sua origem em teorias filosóficas, psicológicas ou sociais, e muito menos posso afirmar se, caso existam, tais teorias são fundamentadas na experiência ou observação e oriundas da aplicação do método científico, como deve ser construída qualquer teoria científica. Mas, o objetivo desse texto é refletir sobre a relação que a visão de mundo relativista possa ter com a teoria da física que é muitas vezes citada para sustentar a tese de que “Tudo é relativo”, a Teoria da Relatividade. Desta forma, o meu propósito é perguntar a Teoria da Relatividade, como proposta por Einstein: Tudo é relativo?

Para responder tal pergunta precisamos entender qual foi o objetivo que Einstein e outros tiveram quando da concepção da teoria da relatividade. Nesse caso, partiremos de um exercício mental bem simples: imagine-se sentado em uma cadeira arremessando uma bolinha para cima e a pegando de volta. Agora, tente pensar no que aconteceria se estivesse dentro de um vagão, completamente fechado, em um trem silencioso que se move com velocidade constante. Será que você seria capaz de notar alguma diferença em seu comportamento ou no da bolinha que se movimenta no ar? Caso sim, como? Falando de outra forma: você teria condições de realizar algum teste para distinguir se está em movimento ou em repouso? Segundo a mecânica, área da Física desenvolvida especialmente por Newton, não há como diferenciar entre estar em repouso ou em movimento com velocidade constante. Ambos os pontos de vista são equivalentes e obedecem às mesmas leis da física. A esse princípio, chamamos de: Princípio da relatividade de Galileu, pois foi Galileu Galilei o primeiro a identificá-lo.

Mas se o teste realizado fosse através de um feixe de luz, aparentemente, essa distinção seria possível. Pois, segundo a mecânica newtoniana, a velocidade do feixe sofreria alteração dependendo da direção para o qual fosse apontado. Sendo assim, haveria uma forma de saber se um objeto está em repouso ou em movimento com velocidade constante. Ou seja, para a mecânica os pontos de vista são equivalentes, mas não para a teoria eletromagnética, área da física que estuda a natureza da luz. Esse aparente conflito dentro de uma visão unificada da física era inaceitável, ou pelo menos precisava de uma explicação. Como, o princípio da relatividade que declara que dois observadores, sendo um em repouso e outro em movimento uniforme, com velocidade constante, deveriam obter os mesmos resultados dependeria de qual área da física estávamos aplicando?

Nesse momento podemos correr o risco de pensar que o foco do problema era garantir que o princípio da relatividade continuasse válido, mas não. A real motivação para a busca de uma solução estava em garantir que a física fosse uma estrutura unificada, e, portanto, igualmente aplicada a qualquer observador, seja ele em repouso ou em movimento com velocidade constante. Inclusive, foi a busca pela ampliação dessa visão que motivou o desenvolvimento de uma versão da relatividade que incluísse observadores que estavam se movendo com velocidade variável, a Teoria da Relatividade Geral.

Com o firme objetivo de mostrar que a física era a mesma para todos os referenciais, a proposta de Einstein partia do estabelecimento de dois postulados assumidos como verdades desde o início:

          I.            As leis da física, tanto mecânicas como eletromagnéticas, são as mesmas para todos os pontos de vista, quer em repouso ou em velocidade constante.

    II.            A velocidade da luz é uma constante e independe do movimento de sua fonte.

Dessa forma, a física, tanto mecânica como eletromagnética, vista por dois observadores em repouso ou em movimento uniforme entre si, era perfeitamente equivalente. Como consequência, Einstein precisou modificar a forma como as grandezas tempo e espaço se comportavam quando se realiza uma mudança entre tais observadores, ou seja, os dois mais sagrados absolutos, tempo e espaço se curvam ante a permanência das leis da física, mas não vamos tratar disso no texto.

O que deve ficar claro nesse ponto da reflexão é que a equivalência entre quaisquer dois observadores a respeito da realidade física, eliminando qualquer prevalência de um sobre o outro, é fundamentada na existência de uma verdade absoluta descrita pelas leis da física. Pensando de outra forma, não é o relativismo a base da teoria da relatividade, mas dois postulados absolutamente tidos como verdadeiros, mesmo que como consequência torne as medidas obtidas em referenciais diferentes relativas. Portanto, a ideia básica não foi tornar o ponto de vista de cada observador igualmente verdadeiro, mesmo que distintos, mas tornar ambos submetidos às mesmas absolutas leis da física.

A partir deste momento, podemos entender que afirmar ser a teoria da relatividade uma base para a declaração “não existe verdade absoluta, pois tudo é relativo” é mais que um erro, vai simplesmente contra os princípios fundamentais de uma das teorias mais bem testadas da ciência. Se há algum fundamento para o relativismo da sociedade pós-moderna, ele não está na teoria da relatividade. Mas se pretendemos construir uma cosmovisão a partir dela, precisamos nos harmonizar com a ideia mais básica que estrutura essa teoria, a realidade, ou as leis que a constituem, é única e igualmente aplicável a todos os observadores. Consequentemente, questões como moralidade, verdade e felicidade podem possuir uma estrutura comum e unificada sobre a qual podem ser construídas. Isso não implica que todos os observadores devem perceber a realidade igualmente, tal como acontece na relatividade, mas que devem estar fundamentados em mesmos princípios igualmente aplicados a todos. Essa visão, fundamentada na teoria da relatividade é o que poderíamos chamar de versão relativística do relativismo.

Se por um lado as atuais teorias da filosofia, psicologia ou sociologia diferem dos princípios da teoria da relatividade, há uma cosmovisão que se harmoniza tanto com existência de uma estrutura unificada de leis que regem a realidade como a equivalência entre diferentes observadores, o Cristianismo. Para ela, a visão cristã, o universo e toda a realidade foram criados por um único Ser superior, cujo poder e extensão vão muito além de tudo o que criou. Um criador inteligente e intencional que criou a realidade fundamentada em leis universais. Estas, por serem fruto de uma mente inteligente, podem ser compreendidas por outras mentes inteligentes feitas à imagem e semelhança da primeira, o que explica a efetividade do empreendimento científico. Tais leis são igualmente aplicadas a todos os observadores do universo, o que faz com que não haja observador privilegiado. Nesse contexto as leis do universo não são meros atributos de uma realidade que foi se estruturando ao acaso, mas são a forma como o Criador, inteligente, onipotente e proposital criou toda realidade.

A visão de mundo cristã implica também que o significado da realidade não é construído pelos seres que a habitam, mas foi definido por quem criou a realidade e as leis que a regem, sendo, portanto, essa realidade descrita por leis absolutas cujos seres que nela habitam devem obedecer. Por fim, o cristianismo é a melhor versão relativística do relativismo, ao manter a relatividade das perspectivas de cada observador, ainda que fundamentada em princípios e leis universais absolutos.

O estranho vazio do primeiro natal

Quando pensamos sobre o nascimento de Jesus, episódio lembrado em cada natal, sempre há algo diferente que nos chama a atenção. É nesse contexto que eu gostaria de perguntar: O que te chama a atenção na história do nascimento de Jesus? Seria o local? A concepção miraculosa? A coragem e fé de José ao aceitar casar com uma mulher grávida?

Para mim, o que mais me chama a atenção é o vazio. Havia um estranho vazio de pessoas e de condições para a vinda de um rei pré-anunciado há tantos anos pelas profecias bíblicas. Veja, por exemplo, que no livro de Miquéias no capítulo 5, verso 2, a cidade de Belém era predita como o local de nascimento do redentor. Além disso, podemos também lembrar que o texto do livro de Números capítulo 24 e verso 17, falava que seu nascimento seria sinalizado por uma estrela especial. Portanto, sendo que havia essas e outras profecias relativas a vinda do salvador é de estranhar o vazio que cercou seu nascimento.

Pode ser que alguém poderia apresentar algumas justificativas: Sendo que essas promessas foram feitas a muito tempo, naturalmente a fé nelas se esfriaria e as pessoas acabariam esquecendo. Entretanto, a fé dos pastores nas colinas de Belém estava bem viva! Outros talvez justificassem o vazio presente no nascimento de Jesus como resultado destas profecias não serem claras o suficiente para que o povo pudesse reconhecer o momento desse acontecimento. Mas, se isso fosse verdade, como explicar que reis orientais puderam reconhecer sinais na natureza e nas profecias a ponto de ir encontrar Jesus em Belém? Em vista disso, a pergunta permanece? Como explicar o vazio do nascimento de Jesus sendo que ele nascera no meio do “povo de Deus”?

Uma sugestão de resposta para esse dilema pode ser encontrada no texto do sábio Salomão presente no livro de Provérbios “Onde não há revelação divina, o povo se desvia” (Pv 29:18). Em outras traduções a expressão “revelação divina” é traduzida como profecias, consequentemente esse termo abrange bem mais que previsões sobre o futuro devendo representar o conhecimento bíblico dos tempos em que se vive. Sendo assim, quando o povo deixa de ter o conhecimento de Deus revelado em sua palavra, acaba por se desviar do plano divino e não mais reconhece os eventos atuais. Em consequência disso, a vida comum havia tragado as pessoas dentro da realidade ordinária de tal forma que a vinda do rei do universo não foi sequer notada. Estamos nós correndo o mesmo risco? Será que nos tornamos cristãos ateus? Alguém que professa acreditar em Jesus, mas se comporta como se ele não houvesse nascido?

O outro vazio que me chama a atenção é o vazio das coisas, ou melhor, de condições materiais para receber um rei, na verdade, O Rei. Uma vez que vivemos em uma época onde corremos atrás de realizar tantos preparativos para formar uma família e receber filhos, é um tremendo contraste que Jesus tenha nascido em uma família que sequer tinha um lar. Além disso: Não havia quarto decorado; não havia ar-condicionado; não havia nem mesmo paredes. Mas tudo o que realmente precisava estava lá: Uma mãe amorosa e temente a Deus, e um pai protetor, trabalhador e submisso a Deus. Será que não estamos correndo o mesmo risco, nos concentrando naquilo que até pode ajudar mais não é essencial e esquecendo do que realmente importa?

Fico a pensar se, mesmo desejando receber Jesus, não estamos dedicando esforços para preparar o exterior quando o que ele deseja é apenas um coração quentinho, como uma manjedoura, mas aquecido pela fé, onde possa nascer de novo? Meu desejo é que o texto de Gálatas seja uma representação de um verdadeiro natal que pode acontecer agora “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Se vive, é porque nasceu em você! Se nasceu, foi natal!

Quem é o Eu Sou? 12 – Um Deus que usa demonstração

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Em uma viagem que fiz, uma avó me contou a história de como ensinou sua netinha uma lição sobre o perigo de não seguir os conselhos dela, a qual me surpreendeu pela coragem e sabedoria. A netinha de 5 anos, queria muito tocar em uma lâmpada incandescente que havia na cozinha, em cima da mesa de jantar, que, por ser relativamente acessível despertava seu interesse. Por mais de uma vez, a avó havia flagrado pequenina subindo em cima da mesa pronta a tocar na lâmpada. Após retirá-la, explicava que a lâmpada estava muito quente, e que ao tocar poderia se queimar. Reconhecendo a teimosia de sua neta, e preocupada em ajudá-la a entender o perigo que a tentativa de tocar no objeto brilhante, mas quente, a sábia vovó preparou as condições para a lição que queria passar. Deixou alguns cubos de gelo acessíveis na geladeira e comprou uma pomada para queimaduras, e esperou. Quando sua neta chegou na casa, a anciã deixou a menina sozinha no cômodo com a lâmpada e se escondeu atrás da porta, sem a garotinha perceber. Achando que estava sozinha, entendeu que essa era a grande oportunidade de que precisava. Posicionou a cadeira e subiu, em seguida, se pôs sobre a mesa. Era tudo o que ela queria. A lâmpada estava logo ali. Ou melhor, a estrela brilhante que, segundo sua imaginação, a levaria para um lindo conto de fadas. Bastava ela tocar. E foi exatamente o que se esforçou para fazer. Ficou na pontinha das sapatilhas rosa, e conseguiu sentir o objeto desejado. No entanto, foi surpreendida pela dor resultante do calor e soltou um belo grito de dor! A avó, que já estava de prontidão, pegando sua netinha no colo se dispôs a passar gelo, e depois a pomada, nos dedinhos vermelhos da netinha. No fim, não deixou de explicar que a garotinha deveria ter ouvido os conselhos pois a vovó a amava muito.

Apesar de nos causar um temor, a estratégia usada pela vovó para ensinar a lição pretendida, fazendo uso de uma demonstração pode ser uma boa analogia da maneira divina de ensinar os males de nos desviar do modo de vida para o qual fomos planejados por nosso criador.

Quando Adão foi criado, tudo era novo, a vida era uma experiência contínua. Cada aroma, as cores, as luzes, as texturas, eram maravilhas indescritíveis. Mas a sua primeira visão foi de Deus. A imagem de Deus a sua frente foi a primeira a percorrer seus circuitos neurais. Então, Deus se apresenta como o criador de tudo, inclusive do próprio Adão. E este, em profundo sentimento de agradecimento o reconhece como o seu Deus. Deus era o seu criador e ele reconhecia que sua vida não era algo que ele havia conquistado, mas que havia sido lhe dada. Esse ato de amor, de um Ser que não precisava de Adão, mas queria apenas que ele fosse feliz plenamente, ou seja, em toda a potência de felicidade que lhe era possível, o motivou a seguir Deus como o seu Senhor. Portanto, o primeiro ato de Fé de Adão foi aceitar Deus como o seu criador e Senhor sem haver testemunhado qualquer ato criativo. Dessa maneira, podemos entender que, mesmo antes de o pecado se instalar na vida humana, o justo já vivia pela fé como está em Hebreus 10.38. Mas havia outra ação de fé requerida a Adão. Ele precisava aceitar que a vida só seria possível em obediência a Deus, não porque Deus o puniria, mas porque Ele é a fonte da vida, e somente ligados a Deus podemos viver. Tentar viver sem Deus é querer assumir o seu lugar como seres autossuficientes. Nesse momento Deus diz: “mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”.”(Gênesis 2:17) Já essa lição, iria requerer uma demonstração mais efetiva que cobraria um preço muito mais caro que queimar os dedos em uma lâmpada quente.

Timeline of Jesus' Death and CrucifixionMesmo após testemunhar a morte de animais, do próprio filho e o lento definhar da sua própria vida, Adão, segundo a bíblia, voltou ao pó. Ele não deixou de existir completamente, como é o caso daquilo que a Bíblia chama de segunda Morte, pois a morte experimentada pelos seres vivos é tratada no texto sagrado como um sono, mas a Morte absoluta, resultante da profunda separação de Deus só foi observada na vida de um único ser, Jesus. Essa foi a lição que Deus nos deu através de uma demonstração que cobrou o preço em sua própria carne.

Diferentemente da história da vovó e da netinha, a dor da demonstração da lição não recaiu sobre o ser humano, apenas, a maior dor foi sentida por Deus quando a trindade sofreu a separação em si mesmo ao Jesus tornar-se pecado por nós (2 Cor 5.21).

Com o objetivo de demonstrar que a morte é o resultado da separação de Deus e não uma penalização imposta pelo próprio Deus, Ele enviou o seu filho. Ao se tornar pecado por nós, Jesus experimentou a separação de Deus que todos sofreremos quando a história desse mundo findar e tivermos decidido em quem vamos confiar. Se em Deus ou em nós mesmos!

Na vida de Cristo vemos o caráter de Deus e na morte de Cristo vemos o caráter do pecado. Um dia desejamos ser deuses no lugar de Deus, no fim, poderemos decidir se queremos continuar sendo deuses que não tem vida em si mesmos ou aceitaremos a Jesus como o nosso Deus, doador da vida e que aceitou sofrer a dor do pecado para reconquistar nossa confiança. Nesse sentido é que a Bíblia diz que nós temos a morte, Ele tem a vida e Ele aceitou a morte para que tivéssemos a vida.

A lição foi demonstrada, agora a escolha nos é ofertada. Cabe a você decidir!

Quem é o Eu Sou? 9 – Um Deus que respeita sua criação.

Recentemente li um artigo que me chamou a atenção pelo comportamento inusitado que descrevia: homens japoneses estavam cada vez mais substituindo o relacionamento com mulheres reais por bonecas de silicone super-realistas. A essas “mulheres”, os proprietários dedicam tempo, compram joias e até as levam para passear. Em contrapartida, sentem-se livres para ter “relações” quando quiserem, sem o risco da rejeição. Segundo um dos adeptos, a escolha se deve ao fato de que, para ele, as mulheres japonesas “possuem um coração duro e são egoístas”.

Mas o que pensar sobre esse “relacionamento”? Não seria falta de respeito com a “mulher” de silicone usá-la como e quando quiser? A resposta é simples: não. Porque elas são bonecas! Não pensam, não sentem e não possuem vontade própria. Portanto, não faz sentido falar em respeito ou valorização nesse caso. No entanto, se o mesmo tratamento fosse aplicado a mulheres reais, certamente haveria protestos e manifestações de repúdio. Afinal, mulheres são seres livres, pensantes e dotados de dignidade, e por isso devem ser respeitadas.

E aqui está o ponto essencial: Deus faz isso conosco. Ele nos respeita e nos valoriza.

Ao nos criar, Deus nos dotou de características que refletem o Seu caráter. Somos seres livres e pensantes. Pensar significa avaliar, ponderar e decidir; e a liberdade nos dá o direito de escolher o caminho que desejarmos. Essas duas faculdades — razão e liberdade — são essenciais para a felicidade humana em todas as relações. Por exemplo, sem a liberdade de rejeitar, um relacionamento jamais poderia expressar plenamente o valor de ser escolhido.

Desde o princípio, Deus nos respeitou. Veja o que diz o texto:
“E o Senhor Deus ordenou ao homem: ‘Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá’” (Gn 2:16-17).

Apesar de ser uma ordem, o homem tinha plena possibilidade de escolher diferente — e, de fato, escolheu. Essa escolha abriu caminho para nossa condição atual: não mais totalmente livres, mas subjugados pelo egoísmo e pela insegurança. Seres feitos para amar não podem ser felizes em egoísmo.

O pecado enfraqueceu nossa liberdade e rompeu nossa relação com Deus. Mas Ele não nos abandonou! Mesmo que tenhamos escolhido o caminho errado, Deus — que é amor — assumiu como prioridade resolver nossa condição de infelicidade. Ele nos respeita demais para nos tratar como as bonecas japonesas são tratadas. Não poderia forçar o nosso amor, porque amor forçado não é amor.

E aqui surge a grande questão: como conquistar o amor de seres livres? A resposta é o plano da salvação. Um dos membros da Trindade aceitou reduzir-se à forma humana, para apresentar o caráter verdadeiro de Deus sem intermediários defeituosos, reconquistando nossa confiança e nosso amor. Ele nos buscou quando nós éramos os únicos culpados por nossa própria miséria. Só esse ato já é uma gigantesca prova de valorização.

Em Jesus temos a oportunidade única de conhecer a essência do Criador. O cristianismo apresenta um Deus que criou seres livres e pensantes, e que prova esse mesmo valor ao nos buscar, ao se adaptar às nossas limitações, e ao se revelar em uma linguagem acessível.

Diante disso, não seria um desrespeito rejeitar tão grande demonstração de amor? Mesmo que, no fim, alguém escolha não aceitá-lo, ao menos deveria permitir que Ele se apresente. Lendo a “carta de amor” que Deus deixou em sua Palavra e conhecendo Seu Filho, podemos descobrir quem Ele realmente é. Como declarou o próprio Jesus:

“Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?’” (Jo 14:9).

Portanto, não basta apenas ouvir falar de Deus. É preciso buscá-lo com sinceridade, conhecê-lo pessoalmente e então decidir se queremos ou não fazer parte dessa família de amor.

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 8 – Um Deus que põe ordem.

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Você já sentiu o prazer de ordenar ou organizar algo? A princípio, quando olhamos para o tamanho do caos que precisa ser arrumado, bate certo desânimo. No meu caso, por exemplo, ao final de um semestre letivo, depois de tantas aulas preparadas e projetos desenvolvidos, tanto meu escritório quanto meu computador precisam ser limpos e organizados. No começo eu resisto um pouco, mas, ao concluir a tarefa, sinto uma satisfação profunda e uma admiração pelo resultado que faz todo o esforço valer a pena.

Mas por que valorizamos tanto a ordem? Por que estamos constantemente em busca de catalogar, organizar e estruturar locais, objetos e atividades? É verdade que a ordem promove eficiência e produtividade, mas creio que há algo além: existe uma beleza inerente na ordem que inspira e desperta admiração no coração humano. Essa beleza parece estar incutida em nossa própria natureza, levando-nos a buscar, identificar e valorizar a ordem. Além disso, a ordem transmite bem-estar e senso de controle, motivando-nos a seguir em frente. De onde vem essa necessidade e prazer pela ordem? O cristianismo oferece uma resposta: explica a origem dessa característica humana e revela um aspecto essencial do caráter de Deus.

Segundo a Bíblia, fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Podemos, então, presumir que nossa admiração e busca pela ordem são reflexos do caráter divino em nós. Essa ideia encontra apoio em diversas passagens bíblicas, especialmente no relato da criação. Antes de Deus preparar a Terra para a vida, “ela estava sem forma e vazia” (Gn 1:2), em um estado caótico e sem propósito. Nos três primeiros dias, Deus organiza a Terra, criando luz, separando oceanos e estabelecendo a terra seca com vegetação. Esses atos preparatórios criam espaços a serem preenchidos. Nos três dias seguintes, Deus os povoa: Sol, Lua e estrelas; peixes e aves; animais e, por fim, o homem. O sétimo dia é separado não para criar, mas para celebrar a comunhão entre o ser humano e seu Deus. Esse padrão mostra o caráter ordenador do Criador, que organiza tudo com propósito e encaixa cada elemento em seu devido lugar. Deus prepara o presente para receber o futuro.

O mesmo acontece na criação do homem. Deus molda o pó da terra, uma substância sem forma e sem finalidade, e a transforma em um ser racional, portador de sua imagem (Gn 2:7). Esse é o maior milagre: do caos, surge um ser capaz de pensar, sentir, escolher e amar. Séculos mais tarde, Deus novamente revelou seu caráter ordenador ao libertar Israel da escravidão do Egito. Aquele povo, sem identidade e esmagado por séculos de opressão, foi transformado em uma nação estruturada, com um sofisticado sistema de adoração, leis civis e sanitárias. Tudo isso confirma a declaração: “O domínio e o temor pertencem a Deus; ele impõe ordem nas alturas que a ele pertencem” (Jó 25:2).

Na plenitude dos tempos, Jesus revelou o caráter do Deus que ordena vidas. Ele reuniu homens rudes, em sua maioria iletrados, sem maiores ambições além da subsistência de suas famílias, e os transformou em líderes de um movimento destinado a levar ao mundo a mensagem de amor, poder e misericórdia de Deus. Isso revela que o Senhor não apenas organiza a matéria inanimada, mas também é o reordenador de vidas humanas, dando-lhes propósito e sentido.

Reconhecer que Deus é um Deus de ordem nos leva a uma certeza: ninguém melhor do que Ele pode organizar o caos em que muitas vezes vivemos. Sabe aqueles momentos em que sua vida parece mais emaranhada que um carretel de linha bagunçado nas mãos de uma criança? Ou quando você olha para si mesmo e se sente “sem forma e vazio”? É exatamente aí que Deus age. Ele chega, organiza e dá vida ao que antes era trevas, caos e desordem.

Portanto, até que o ser humano seja capaz de pegar um punhado de barro e transformá-lo em alguém capaz de amar, sempre haverá um candidato melhor para ser o ordenador de vidas. Esse candidato tem nome: Jesus!

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

 

 

Quem é o Eu Sou? 7- O Deus que Lembra, mas Escolhe Esquecer

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Você já parou para reconhecer a dádiva que é o esquecimento? Imagine o caos se pudéssemos lembrar de cada episódio vivido como se tivesse acontecido há apenas alguns instantes. É verdade que isso nos permitiria reviver continuamente as alegrias e os sentimentos felizes de boas experiências, mas também nos obrigaria a conviver com as lembranças constantes das dores, angústias, frustrações e traumas. Seria tanto sofrimento a administrar que dificilmente conseguiríamos manter o equilíbrio necessário para valorizar as memórias agradáveis.

Além disso, como seria possível construir relacionamentos se fôssemos obrigados a guardar, de forma tão vívida, cada decepção, traição ou dor que alguém nos causou? Como perdoar e sentir o coração leve se a lembrança não pudesse ser atenuada — ou até apagada — pelo tempo? Certamente seria quase impossível experimentar verdadeira paz em qualquer relacionamento.

Mas nós esquecemos! E, graças a isso, podemos viver e nos relacionar com alegria. Pois mesmo os maiores problemas e traumas podem ser perdoados e, ainda que não totalmente apagados, vão se desvanecendo até não mais nos aprisionarem.

E Deus? Será que Ele se esquece?

Para começar, precisamos refletir: se afirmarmos que Deus se esquece, estaríamos dizendo que existe uma informação inacessível à mente do Todo-Poderoso. Algo contraditório, pois como Aquele que criou todo o universo apenas com suas palavras seria incapaz de acessar algo contido em sua própria mente? Além disso, afirmar que Deus esquece seria limitar o Criador do tempo à sua própria criação.

Mas Deus mesmo declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22:13). Ou seja, Ele não está sujeito ao tempo. Para Deus, passado, presente e futuro estão igualmente diante dEle. Por isso, afirmar que Deus esquece literalmente vai contra sua própria natureza.

Então, como entender sua declaração: “Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais dos seus pecados” (Is 43:25)?

Para compreender, precisamos pensar no significado de “esquecer”. Para nós, esquecer é perder o acesso a uma memória. Porém, se mesmo lembrando de algo, escolhemos agir como se essa informação não existisse, o efeito é o mesmo de tê-la esquecido. Com o tempo, essa memória vai se enfraquecendo, até desaparecer. Mas para Deus, que não está limitado pelo tempo, o ontem é hoje, e o amanhã é agora.

Portanto, quando a Bíblia diz que Deus esquece, significa que Ele ainda tem a memória nítida diante de si, mas decide não levá-la em consideração. O perdão de Deus não é a ausência da lembrança, mas a decisão amorosa de não permitir que essa lembrança pese contra nós.

Quando nós perdoamos, mesmo que ainda doa, com o tempo a lembrança se apaga. Mas Deus é diferente: Ele continua lembrando claramente, mas escolhe amar de tal forma que a lembrança não tem poder sobre sua decisão. Seu amor é maior que qualquer frustração ou decepção.

Esse entendimento torna o sacrifício de Jesus ainda mais profundo. Ele deixou o trono do céu, cheio de amor e glória, para viver em um mundo marcado pelo egoísmo e pela dor. E como Deus não pode esquecer de fato, mas apenas de efeito, cada dor e sofrimento que Cristo experimentou nesta Terra permanecem vívidos em sua memória. Contudo, isso não diminui em nada o seu amor por nós.

Esse é o Deus com quem vale a pena se relacionar! Ele pode saber tudo o que você fez, como se tivesse acontecido ontem, mas ainda assim o ama como se você nunca tivesse errado.

Deus lembra, mas escolhe esquecer — porque te ama!

 

Quem é o Eu Sou? 5- Um Deus que se interessa.

Para você, Deus se interessa ou não por nós?
Uma resposta que tem conquistado muitos adeptos supõe que não. O deísmo é uma visão de mundo que até admite a existência de um ser todo-poderoso e criador do universo, mas afirma que, após tê-lo feito — pelo menos em sua forma primária —, Ele teria deixado tudo seguir suas próprias leis, sem mais intervir em sua criação. Assim, qualquer tentativa de estabelecer comunicação com esse ser superior seria inócua e irrelevante.

A pergunta que devemos fazer é: seria o Deus apresentado pelo cristianismo esse tipo de ser? Será que o “Eu Sou” se encaixa nesse perfil? Está Deus longe e desinteressado por nós, ou deseja se comunicar conosco?

O livro de Hebreus responde:

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1:1-2, ARA).

O escritor bíblico destaca dois pontos fundamentais. Primeiro: Deus deseja se relacionar conosco, e esse relacionamento se fundamenta na revelação de si mesmo — inicialmente por meio dos profetas e, de forma suprema, através de seu próprio Filho, a perfeita expressão de sua imagem. Segundo: o Filho, que veio revelar o Pai, é também coautor do universo. Portanto, dissociar o amor de Jesus do Criador é negar a própria verdade bíblica.

Isaías confirma o interesse pessoal e profundo de Deus:

“Assim diz o Alto e Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57:15, ARA).

Aqui, duas dimensões do caráter divino se harmonizam: ao mesmo tempo em que governa o universo em majestade, Deus manifesta cuidado íntimo por cada pessoa que clama por sua presença.

Portanto, a questão não é se Ele deseja se relacionar conosco, mas se nós aceitaremos descer do trono de orgulho que construímos para permitir que Ele habite em nós. Talvez o deísmo não seja senão uma expressão do desejo humano de que Deus não se importasse conosco — apenas para que não precisássemos decidir entre aceitar ou rejeitar o Seu convite de amizade.

Mas o fato é que Deus, Jesus e o Espírito Santo já fizeram tudo o que podiam para restaurar esse relacionamento. Negar isso é impossível; a decisão agora é nossa. Deus não é um criador distante, que nos abandonou em um mundo marcado pela dor. Tal ser seria sádico, omisso diante do sofrimento humano. Pelo contrário: Ele se envolve conosco, sofre por nós e nos chama para uma relação transformadora.

É verdade: começar um novo relacionamento não é fácil. Mas aquele que o convida conhece cada detalhe de sua vida. Ele sabe de seus defeitos mais ocultos, e mesmo assim quer estar ao seu lado. Mais que isso: quer cuidar de você, quer amar você de forma completa e verdadeira. Não há necessidade de fingimento: basta permitir-se ser transformado à imagem e semelhança desse novo companheiro.

Não há o que temer. A mão dEle já está estendida. Estenda a sua.

“Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos passarinhos” (Lc 12:7, ARA).

A questão não é se Deus está interessado em nós, mas se estamos dispostos a responder ao Seu interesse eterno.

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .