Quem é o Eu Sou? 5- Um Deus que se interessa.

Para você, Deus se interessa ou não por nós?
Uma resposta que tem conquistado muitos adeptos supõe que não. O deísmo é uma visão de mundo que até admite a existência de um ser todo-poderoso e criador do universo, mas afirma que, após tê-lo feito — pelo menos em sua forma primária —, Ele teria deixado tudo seguir suas próprias leis, sem mais intervir em sua criação. Assim, qualquer tentativa de estabelecer comunicação com esse ser superior seria inócua e irrelevante.

A pergunta que devemos fazer é: seria o Deus apresentado pelo cristianismo esse tipo de ser? Será que o “Eu Sou” se encaixa nesse perfil? Está Deus longe e desinteressado por nós, ou deseja se comunicar conosco?

O livro de Hebreus responde:

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1:1-2, ARA).

O escritor bíblico destaca dois pontos fundamentais. Primeiro: Deus deseja se relacionar conosco, e esse relacionamento se fundamenta na revelação de si mesmo — inicialmente por meio dos profetas e, de forma suprema, através de seu próprio Filho, a perfeita expressão de sua imagem. Segundo: o Filho, que veio revelar o Pai, é também coautor do universo. Portanto, dissociar o amor de Jesus do Criador é negar a própria verdade bíblica.

Isaías confirma o interesse pessoal e profundo de Deus:

“Assim diz o Alto e Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57:15, ARA).

Aqui, duas dimensões do caráter divino se harmonizam: ao mesmo tempo em que governa o universo em majestade, Deus manifesta cuidado íntimo por cada pessoa que clama por sua presença.

Portanto, a questão não é se Ele deseja se relacionar conosco, mas se nós aceitaremos descer do trono de orgulho que construímos para permitir que Ele habite em nós. Talvez o deísmo não seja senão uma expressão do desejo humano de que Deus não se importasse conosco — apenas para que não precisássemos decidir entre aceitar ou rejeitar o Seu convite de amizade.

Mas o fato é que Deus, Jesus e o Espírito Santo já fizeram tudo o que podiam para restaurar esse relacionamento. Negar isso é impossível; a decisão agora é nossa. Deus não é um criador distante, que nos abandonou em um mundo marcado pela dor. Tal ser seria sádico, omisso diante do sofrimento humano. Pelo contrário: Ele se envolve conosco, sofre por nós e nos chama para uma relação transformadora.

É verdade: começar um novo relacionamento não é fácil. Mas aquele que o convida conhece cada detalhe de sua vida. Ele sabe de seus defeitos mais ocultos, e mesmo assim quer estar ao seu lado. Mais que isso: quer cuidar de você, quer amar você de forma completa e verdadeira. Não há necessidade de fingimento: basta permitir-se ser transformado à imagem e semelhança desse novo companheiro.

Não há o que temer. A mão dEle já está estendida. Estenda a sua.

“Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos passarinhos” (Lc 12:7, ARA).

A questão não é se Deus está interessado em nós, mas se estamos dispostos a responder ao Seu interesse eterno.

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 1- Deus espera que você use a Razão

Segundo a Bíblia, os seres humanos se diferenciam de toda a criação por uma característica especial: foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Se considerarmos que a capacidade de julgar, avaliar e pesar evidências — ou seja, o uso da razão — é uma de nossas habilidades mais distintivas, podemos compreender que Aquele que nos criou segundo Sua imagem também é um ser cujo uso da razão é essencial à Sua natureza.

O cerne de toda experiência religiosa é estabelecer uma relação com o transcendental. Sendo nós e Deus seres racionais, surge a pergunta: como seres racionais se relacionam? A resposta pode ser iluminada pelo livro do profeta Isaías: “Venham, vamos refletir juntos”, diz o Senhor (Is 1:18). Deus nos convida a pensar junto com Ele! Esse texto, simples mas profundo, revela o desejo divino de construir uma relação com a humanidade fundamentada no uso da razão e no exercício da reflexão. Ao nos comunicarmos com Deus, Ele não deseja que deixemos de lado nossa capacidade de pensar; ao contrário, quer que a utilizemos.

Outra evidência de que a razão é indispensável em nossa comunicação com Deus está na forma como Ele escolheu se revelar a nós. Segundo a compreensão tradicional, há duas maneiras principais pelas quais Deus Se manifesta:

  1. Revelação geral – Deus revela aspectos de Seu caráter por meio da criação, ou seja da natureza, Suas leis e princípios. “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Rm 1:20). Para percebermos os traços divinos na natureza, é necessário raciocinar sobre Sua obra e refletir sobre ela.
  2. Revelação especial – Deus Se dá a conhecer de maneira mais precisa por meio da Bíblia, que descreve Seus atributos e Seu relacionamento com a humanidade. Mas, para compreender plenamente essa revelação, também é indispensável a reflexão e o estudo.

Assim, nas duas formas de revelação, Deus nos convida a usar a razão para conhecê-Lo.

O uso da razão na comunhão com Deus também preserva nossa individualidade e garante a liberdade dos seres inteligentes. Deus não força nossa resposta à Sua manifestação; Ele espera que escolhamos, de forma consciente, nos relacionar com Ele. Essa consideração é expressa em Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” Aqui vemos que nossas dúvidas e questionamentos são bem-vindos; Deus sempre estará disposto a nos explicar e indicar o caminho, mas nunca nos obrigará a segui-Lo.

Diante dessas implicações, podemos concluir que qualquer experiência religiosa que não esteja fundamentada no uso da razão — ou que a suprima — não permitirá uma interação plena entre seres inteligentes e o Deus da Bíblia. Portanto, toda manifestação religiosa genuína deve promover a reflexão e o pensamento, conduzindo-nos a uma fé consciente e sólida.

Inspirado no livreto Fundamental Focus, produzido pelo ministério americano Genesis Road.