| | |

A maior descoberta estava na porta

Em 1897, J. J. Thomson descobriu que os raios catódicos eram constituídos por partículas de carga negativa e massa muito menor que a do átomo. Ele estava revelando o elétron. Já em 1932, James Chadwick descortinou mais um segredo atômico ao identificar uma partícula com massa aproximadamente igual à do próton, mas sem carga elétrica: o nêutron. Naquele mesmo ano, John Cockcroft e Ernest Walton conseguiram provocar a desintegração artificial de núcleos atômicos e forneceram uma importante confirmação experimental da famosa equação (E=mc2). Em 1953, foi a biologia que deu um salto revolucionário, quando James Watson e Francis Crick determinaram a estrutura de dupla hélice do DNA, apoiando-se também em dados fundamentais obtidos por Rosalind Franklin e Maurice Wilkins. Essa descoberta abriu novas portas para a genética e para a biologia molecular.

E o que há em comum entre essas descobertas revolucionárias? Todas aconteceram no mesmo lugar: o Laboratório Cavendish, da Universidade de Cambridge.

Inaugurado em 1874, o Laboratório Cavendish foi concebido sob a direção de James Clerk Maxwell, que havia sido nomeado, em 1871, primeiro titular da recém-criada Cátedra Cavendish de Física Experimental. Um dos maiores nomes da história da Física e responsável pela unificação da eletricidade, do magnetismo e da óptica em uma mesma teoria, Maxwell supervisionou o planejamento e a construção daquele novo laboratório, que viria a desempenhar um papel extraordinário na história da ciência.

Apesar de tantas descobertas extraordinárias terem sido realizadas ali, podemos arriscar dizer que a maior revelação presente naquele laboratório não se encontrava em um de seus experimentos, mas nas próprias portas de entrada.

Gravadas nas grandes portas de carvalho estavam as palavras em latim:

“Magna opera Domini exquisita in omnes voluntates ejus.”

Era o Salmo 111:2:

“Grandes são as obras do Senhor; nelas meditam todos os que as apreciam.” (Salmo 111:2, NVI)

Sim, é verdade. Em um dos mais importantes laboratórios de pesquisa da história da ciência havia uma declaração bíblica apontando para Deus e apresentando suas obras como dignas de contemplação e investigação.

Colocada ali por iniciativa de seu primeiro diretor, a inscrição era coerente com a visão cristã de Maxwell acerca da natureza. Para ele, o Universo era obra de um Criador e o estudo da natureza não precisava estar em oposição à fé cristã. Pelo contrário, Maxwell chegou a escrever que os cristãos de mente científica deveriam estudar ciência para que sua compreensão da glória de Deus fosse tão ampla quanto possível.

Assim, contemplar e tentar decifrar as obras presentes na natureza poderia também conduzir à admiração diante da ordem, da grandeza e da sabedoria daquele que Maxwell reconhecia como seu Criador.

Por isso, antes de aceitar discursos inflamados que apresentam ciência e fé cristã como inimigas inevitáveis, vale a pena olhar para a história. Um dos maiores físicos de todos os tempos e o laboratório que ajudou a construir contam uma história diferente.

Não, a investigação científica não é, em si mesma, contra Deus. Para uma visão cristã da realidade, ela pode tornar-se também uma maneira de olhar com novos olhos para o mundo criado, despertando admiração diante de sua ordem e reconhecimento da grandeza e da sabedoria de seu Criador.

Fontes: University of Cambridge – Cavendish Laboratory; Campbell & Garnett, The Life of James Clerk Maxwell (1882); James Clerk Maxwell Foundation.

Posts Similares

Deixe um comentário