Quem é o Eu Sou? 13 – Um Deus que é paciente com nosso crescimento

Queda do analfabetismo fica estagnada no país, aponta pesquisa do IBGE | Diário de GoiásQuando jovem, uma das razões de achar a sala de aula um lugar monótono para aprender  era a velocidade com a qual costumava entender os assuntos. Em geral, eu compreendia a mensagem do professor muito rapidamente e já esperava que prosseguisse para o próximo nível. No entanto, o professor acabava por repetir o assunto, usando outras estratégias didáticas, para auxiliar a compreensão de outros alunos que, mesmo se esforçando, ainda não tinham entendido corretamente. Esse processo lento e gradual de aprendizagem da turma, resultante da diferença na velocidade de processamento e compreensão entre nós, me fazia achar a aula muito desestimulante. A meu ver, o professor deveria seguir em frente e avançar, e os outros alunos é que deveriam se esforçar mais para acompanhar. Nada mais do que uma tola e egoística visão da juventude. Mas a grande lição que eu precisava receber ainda estava por vir.

Quando entrei no doutorado, aos 32 anos, pude experimentar a posição contrária a que sempre tive, pois agora era o aluno de lenta compreensão. Tendo como colegas garotos bem mais jovens e muito melhor preparados, eu não tive a menor chance de acompanhar as aulas no ritmo que eram apresentadas. Foi quando aprendi duas lições fundamentais: A primeira, que mesmo se esforçando ao máximo você pode não compreender os assuntos com facilidade. Ou seja, enquanto outros necessitam apenas de uma hora para entender, você pode precisar de três ou mais. A outra lição, a qual me motivou a trazer essa história a vocês é de o quanto precisamos de professores compreensivos, não para passar a mão sobre a cabeça nos aprovando sem estarmos prontos, mas para reconhecer nossas dificuldades e criar estratégias específicas para o aprendizado. Pois bem, Deus é exatamente assim!

Deus trabalha em nossa vida no devido tempo necessário, nem com atraso, nem com pressa. Ele é paciente com o nosso progresso, submetendo a si mesmo a nossa curva de aprendizado. Da mesma forma como precisamos confiar no professor que nos guia no processo de aprendizado, é fundamental que tenhamos suficiente fé em Deus para colocarmos em suas mãos nossa vida e ser moldados por Ele. A Bíblia destaca que Cristo é “o autor e consumador de nossa fé” (Hb12:2), sendo assim é Deus que faz a obra de nos reeducar para seu reino vindouro. Esse é um processo longo e gradual o qual Deus tem prazer em iniciar e finalizar, como é bem descrito em Filipenses, “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus. ” (Fp 1:6). Portanto, nunca pense que você é quem deve assumir sozinho as rédeas de sua cura e preparação para o Céu, esse trabalho é dirigido por Deus. Nossa contribuição consiste em exercer a escolha de estar em sua presença seja quais forem as circunstâncias.

A importância de exercermos a escolha pode ser ilustrada por um aluno que resolve não estar na escola, nem mesmo o poder criador do universo é capaz de transformar um coração que não escolhe se deixar ser regenerado. Mesmo sendo infinitamente poderoso, Deus não passa por cima de nossa vontade para nos salvar. É a fé em Deus, a permissão necessária para que possa atuar em nossa vida e preparar o nosso caráter para estar no céu. Quando sua vontade se alinha com a vontade de Deus, Ele será paciente para recriar em você o caráter dEle.

Estamos sempre sendo modificados, nunca continuamos os mesmos, cabe a você escolher quem quer como professor. Eu escolhi um professor paciente e atencioso, o meu Jesus, e nunca me arrependi disso. Experimente também!

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 12 – Um Deus que usa demonstração

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Em uma viagem que fiz, uma avó me contou a história de como ensinou sua netinha uma lição sobre o perigo de não seguir os conselhos dela, a qual me surpreendeu pela coragem e sabedoria. A netinha de 5 anos, queria muito tocar em uma lâmpada incandescente que havia na cozinha, em cima da mesa de jantar, que, por ser relativamente acessível despertava seu interesse. Por mais de uma vez, a avó havia flagrado pequenina subindo em cima da mesa pronta a tocar na lâmpada. Após retirá-la, explicava que a lâmpada estava muito quente, e que ao tocar poderia se queimar. Reconhecendo a teimosia de sua neta, e preocupada em ajudá-la a entender o perigo que a tentativa de tocar no objeto brilhante, mas quente, a sábia vovó preparou as condições para a lição que queria passar. Deixou alguns cubos de gelo acessíveis na geladeira e comprou uma pomada para queimaduras, e esperou. Quando sua neta chegou na casa, a anciã deixou a menina sozinha no cômodo com a lâmpada e se escondeu atrás da porta, sem a garotinha perceber. Achando que estava sozinha, entendeu que essa era a grande oportunidade de que precisava. Posicionou a cadeira e subiu, em seguida, se pôs sobre a mesa. Era tudo o que ela queria. A lâmpada estava logo ali. Ou melhor, a estrela brilhante que, segundo sua imaginação, a levaria para um lindo conto de fadas. Bastava ela tocar. E foi exatamente o que se esforçou para fazer. Ficou na pontinha das sapatilhas rosa, e conseguiu sentir o objeto desejado. No entanto, foi surpreendida pela dor resultante do calor e soltou um belo grito de dor! A avó, que já estava de prontidão, pegando sua netinha no colo se dispôs a passar gelo, e depois a pomada, nos dedinhos vermelhos da netinha. No fim, não deixou de explicar que a garotinha deveria ter ouvido os conselhos pois a vovó a amava muito.

Apesar de nos causar um temor, a estratégia usada pela vovó para ensinar a lição pretendida, fazendo uso de uma demonstração pode ser uma boa analogia da maneira divina de ensinar os males de nos desviar do modo de vida para o qual fomos planejados por nosso criador.

Quando Adão foi criado, tudo era novo, a vida era uma experiência contínua. Cada aroma, as cores, as luzes, as texturas, eram maravilhas indescritíveis. Mas a sua primeira visão foi de Deus. A imagem de Deus a sua frente foi a primeira a percorrer seus circuitos neurais. Então, Deus se apresenta como o criador de tudo, inclusive do próprio Adão. E este, em profundo sentimento de agradecimento o reconhece como o seu Deus. Deus era o seu criador e ele reconhecia que sua vida não era algo que ele havia conquistado, mas que havia sido lhe dada. Esse ato de amor, de um Ser que não precisava de Adão, mas queria apenas que ele fosse feliz plenamente, ou seja, em toda a potência de felicidade que lhe era possível, o motivou a seguir Deus como o seu Senhor. Portanto, o primeiro ato de Fé de Adão foi aceitar Deus como o seu criador e Senhor sem haver testemunhado qualquer ato criativo. Dessa maneira, podemos entender que, mesmo antes de o pecado se instalar na vida humana, o justo já vivia pela fé como está em Hebreus 10.38. Mas havia outra ação de fé requerida a Adão. Ele precisava aceitar que a vida só seria possível em obediência a Deus, não porque Deus o puniria, mas porque Ele é a fonte da vida, e somente ligados a Deus podemos viver. Tentar viver sem Deus é querer assumir o seu lugar como seres autossuficientes. Nesse momento Deus diz: “mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”.”(Gênesis 2:17) Já essa lição, iria requerer uma demonstração mais efetiva que cobraria um preço muito mais caro que queimar os dedos em uma lâmpada quente.

Timeline of Jesus' Death and CrucifixionMesmo após testemunhar a morte de animais, do próprio filho e o lento definhar da sua própria vida, Adão, segundo a bíblia, voltou ao pó. Ele não deixou de existir completamente, como é o caso daquilo que a Bíblia chama de segunda Morte, pois a morte experimentada pelos seres vivos é tratada no texto sagrado como um sono, mas a Morte absoluta, resultante da profunda separação de Deus só foi observada na vida de um único ser, Jesus. Essa foi a lição que Deus nos deu através de uma demonstração que cobrou o preço em sua própria carne.

Diferentemente da história da vovó e da netinha, a dor da demonstração da lição não recaiu sobre o ser humano, apenas, a maior dor foi sentida por Deus quando a trindade sofreu a separação em si mesmo ao Jesus tornar-se pecado por nós (2 Cor 5.21).

Com o objetivo de demonstrar que a morte é o resultado da separação de Deus e não uma penalização imposta pelo próprio Deus, Ele enviou o seu filho. Ao se tornar pecado por nós, Jesus experimentou a separação de Deus que todos sofreremos quando a história desse mundo findar e tivermos decidido em quem vamos confiar. Se em Deus ou em nós mesmos!

Na vida de Cristo vemos o caráter de Deus e na morte de Cristo vemos o caráter do pecado. Um dia desejamos ser deuses no lugar de Deus, no fim, poderemos decidir se queremos continuar sendo deuses que não tem vida em si mesmos ou aceitaremos a Jesus como o nosso Deus, doador da vida e que aceitou sofrer a dor do pecado para reconquistar nossa confiança. Nesse sentido é que a Bíblia diz que nós temos a morte, Ele tem a vida e Ele aceitou a morte para que tivéssemos a vida.

A lição foi demonstrada, agora a escolha nos é ofertada. Cabe a você decidir!

O único confiável!

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“Ele é corrupto!”, “É a nossa melhor opção!”, “Já foi até condenado na justiça!”, “Busca os próprios interesses!”, “Veja o que ele fez por nós!”, “Nunca foi pego em nada errado!”, Essas são frases cada vez mais comuns em meio ao debate político tão frequente ao vivo, em redes sociais e até em reuniões de família. Debates e choques sobre política sempre ocorreram, mas ultimamente, histórias de cismas e discussões, que muitas vezes recaem em violência, se multiplicam. Sem necessariamente avaliar os temas em questão, gostaria de refletir sobre uma das motivações subjacentes: A insegurança!

Em um mundo confuso e cada dia mais incerto, todos precisamos de uma boia salva vidas, um lugar seguro onde ancorarmo-nos e resistir aos ventos de um futuro oculto nas nuvens do tempo. E as vezes esses meios de segurança são líderes políticos, escolhidos em virtude de compartilharmos de um regime democrático. Sendo assim,  estamos sempre em busca de um líder político onde nos sintamos seguros. Mas isso é possível? Muitas vezes a história nos mostrou que homens vistos como símbolos de força, integridade e caráter, nos surpreenderam com erros, corrupção e mentiras. Por outro lado, isso nunca nos impediu de continuar em busca da segurança de um bom líder, mesmo que às vezes, o máximo que obtenhamos é uma jangada cuja estabilidade é baseada em amarras frágeis sem quaisquer garantias que nos deixará seguros. No caso dos nossos líderes, as amarras frágeis que geram insegurança nunca poderão ser substituídas, pois jamais teremos provas concretas de quem realmente ele é.

Uma das maiores armadilhas de nossa realidade, no que diz respeito ao sentimento de segurança, é que nunca conhecemos verdadeiramente o outro. E tal insegurança cresce exponencialmente quando falamos de pessoas públicas, pois em vista de fazer com que sua imagem seja boa, muitas constroem um projeto de apresentação de si mesmos que pode ser tudo, mas nunca plenamente confiável. E aí jaz nossa insegurança. Como resultado, assim como lutamos para proteger nossa jangada sobre um oceano de ameaças, segurando as toras, refazendo as amarras e afastando qualquer perigo, protegemos os líderes políticos, defendendo suas ações, escolhas e projetos. Pois sem nosso esforço, a insegurança aumentará e o líder escolhido não mais será aquele em quem poderemos confiar.

Em um mundo utópico, seria ótimo se houvesse uma forma de conhecermos absolutamente os nossos líderes e então podermos seguir adiante com eles controlando o leme. Mas esse mundo não existe, pelo menos no que diz respeito a confiar em outros homens. E nesse contexto, o texto do profeta Jeremias é muito enfático “Assim diz o Senhor: “Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor.” ” (Jeremias 17:5). É verdade, a proposta cristã é dura em afirmar que nunca obteremos a tão sonhada segurança em líderes humanos. Mesmo que tudo o que você saiba sobre ele seja bom, sempre haverá uma chance de ser traído ou que o caráter do seu líder seja corrompido pelo poder. Então, estamos em um beco sem saída? Não podemos confiar em ninguém? Sim e não! Sim, porque não há um homem isento de falhas, seja no seu passado ou no futuro por vir. Mas há um líder, que já provou seu caráter e conquistou todos os de coração sincero que se encontraram com ele. Jesus tem o que nenhum líder pode te oferecer, a absoluta confiança de que ele é verdadeiramente bom.

O Cristo apresentado pelas Escrituras foi alguém que tem literalmente tudo. Ele é Deus! Portanto, não precisou ou precisa de mim e de você. Todas as suas ações são unicamente motivadas pelo seu caráter, o AMOR, um profundo desejo que preenche todo o ser de Deus em fazer os seres criados felizes. Jesus nos ensinou que mesmo tendo todas as razões para nos rejeitar, pois nós o expulsamos do controle de nossas vidas quando escolhemos seguir uma outra estratégia de felicidade, ainda assim aceitou se desfazer de tudo o que tinha e vir em nosso resgate “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Filipenses 2:6-8)

Jesus nos ensinou que ele é o único líder em quem obtemos a tão sonhada segurança. Além de ter se esvaziado para nos buscar no fundo do abismo da incerteza e insegurança, nunca falhou conosco, pelo contrário, criou um mundo inteiro na forma de um lindo jardim para habitarmos em harmonia com os animais e a natureza e quando estávamos acuados pela insegurança da separação, começou um plano para reconquistar nossa confiança. Pense, um líder com o poder de Jesus, como Deus, poderia simplesmente exigir o apoio de suas criaturas, independente de como ele agisse, no entanto, Jesus se fez homem, para que, como homem apresentasse seu caráter a nós e conquistasse, não uma obediência cega, mas o nosso amor.

Caro leitor, quando você ver pessoas que lutam por personalidades públicas, saiba que você tem a escolha de seguir um líder que abraçou leprosos, chorou com viúvas, alimentou povos, protegeu quem havia vindo prendê-lo, pediu perdão para os que o crucificavam, festejou casamentos e perdoou quando podia condenar. Por fim, isso nos ajuda a entender que tipo de vida Jesus nos propõe: “eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10:10) e essa vida plena é o resultado de confiar de olhos fechados em um líder que não erra, não falhou e não falhará. Um líder que sabe que ainda estamos em um planeta mergulhado em lágrimas de angustia e dor e por isso prometeu “”Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.” (João 14:1-3). Esse é um líder por quem vale a pena viver. Que nossa batalha política seja por apresentar o caráter de nosso amado e confiável Jesus.

O Ravi Zacharias(1946-2020) descansou

Muitas vezes achamos que a dor da perda será sentida de verdade apenas quando ocorre com os de perto, familiares ou amigos próximos. Mas há momentos em que sentimos o coração dilacerar quando, mesmo nunca as tendo encontrado, perdemos pessoas que admiramos e temos como inspiração. Hoje esse foi o caso, pois nesta data de 19/5/2020, o grande mensageiro do cristianismo Ravi Zacharias, palestrante, escritor e defensor da fé cristã, descansou no Senhor. Meu coração está esmagado pela dor. Esse homem sempre foi minha inspiração em sua forma inteligente e amorosa de falar de Jesus. Com sua inteligência sensível – creio ser a melhor expressão para ele -, sempre teve acesso a grandes centros acadêmicos, como Harvard e Oxford, falando do amor e da sabedoria de Deus.

Ravi nasceu na Índia e se converteu ao cristianismo na juventude. Emigrou para o Canadá e construiu uma carreira como mensageiro do cristianismo de uma forma inteligente, racional, mas ainda assim repleta de amor. Foi autor de vários livros, dentre os quais destaco o premiado Pode o Homem Viver ser Deus?, o primeiro que li e já me encantou, porque mescla de forma harmoniosa argumentos racionais a favor da fé cristã, sem perder o apelo à sensibilidade e ao coração. Ravi possuía um programa de rádio chamado “Let My People Think” (“Vamos pensar, meu povo”), transmitido a muitas partes do globo. Foi o fundador do Ministério Internacional Ravi Zacharias, que desenvolve evangelismo em todo o mundo. Mas, infelizmente hoje, aos 74 anos, vitimado por um câncer que fora anunciado apenas dois meses antes, Ravi descansou no Senhor.

É muito estranho sentir tanta dor pelo falecimento de alguém tão distante. Mas os livros e vídeos dele me fizeram sentir como se ele fosse meu mentor. Pois tudo o que eu imaginei ser como pregador do evangelho tinha Ravi Zacharias como referência. Já li C. S Lewis, William Craig, Nancy Pearcey, Francis Schaeffer e outros, mas o Ravi era meu referencial de mensageiro do evangelho. Minha dor é maior, talvez, porque no fundo eu ainda nutria a esperança de encontrá-lo e ter uma longa conversa. Portanto, minha oração a Deus é que eu possa glorificar a Deus e honrar esse grande homem, sendo ao menos uma unha do que foi Ravi Zacharias.

Sugestões de Leitura:

Pode o homem viver sem Deus?, Mundo Cristão, 1997

A morte da razão, Vida, 2011

Quem É Jesus?, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2013

Pode o homem viver sem Deus?, Mundo Cristão, 1997

Jesus entre outros Deus, Vida Nova, 2018

Quem é o Eu Sou? 11 – Deus submete a si mesmo a avaliação.

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 O dia de receber o resultado da prova chega, e você ansiosamente aguarda o professor entregar sua nota. Por outro lado, você está tranquilo porque, além de ter estudado, a prova foi relativamente fácil. Portanto, a nota positiva era uma garantia. Só falta confirmar!  Mas, após alguns nomes, você recebe sua prova e fica em choque com a nota baixa que recebeu. Imediatamente faz uma análise minuciosa da prova para verificar onde errou. Em seguida mais uma surpresa: não houve erro! foi o professor que interpretou erradamente suas respostas. Resta agora buscar a correção do erro. Porém, quando está prestes a se levantar para arguir o professor, vem à memória histórias que ouviu a respeito da perseguição que o referido professor teve com alunos que questionaram sua correção de prova.  Sendo que a fama de ser alguém que não tolera questionamentos a respeito de suas provas é enorme, será que vale à pena pedir reavaliação? É melhor não! Após refletir, sua decisão é trabalhar para não correr o risco de ser mal interpretado da próxima vez.  Mesmo sendo apenas uma ilustração, você pode imaginar como seria ter um professor autoritário que não aceita qualquer questionamento? Como você definiria esse professor? Gostaria de se relacionar com ele? Se pudesse decidir, o escolheria como professor novamente? Muitos de nós enxergamos a Deus dessa mesma forma, como alguém com quem não podemos dialogar ou até questionar. Mas saiba que Deus não é assim, e nem poderia ser.

Em vista do tipo de relacionamento que Ele deseja construir com os seres criados, a liberdade é um princípio universal necessário para Deus. E em decorrência dessa liberdade, Deus precisa apelar para nossa razão a fim de conquistar nossa confiança. Dessa maneira, Sua postura, em vez de impositiva e ditatorial, é mostrar-nos sua vontade e permitir que possamos conversar, e até questionar, o caminho proposto. Veja por exemplo o caso de Abraão: Quando Deus revelou seu objetivo de destruir completamente as cidades de Gomorra e Sodoma, e seus respectivos habitantes, Abraão questionou: “Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra? ” (Gn 18:25). De forma alguma Deus o repreendeu por pensar que esse não era o caminho certo, mas prosseguiu em um diálogo explicando ao patriarca hebreu que se houvesse apenas alguns justos nas cidades Ele não as destruiria. Deus não só preserva a liberdade de Abraão, bem como aceita mais três repetições do mesmo questionamento. Outro diálogo interessante foi entre Deus e Jonas (Jn 4), curiosamente em um contexto inverso. Nesse caso, Deus decide por salvar uma nação que havia se arrependido após ser avisada pelo profeta que Deus estava prestes a destruí-la. Em vista dessa salvação Jonas, irado, questiona o Senhor por agir com misericórdia. E Deus, em vez de pedir o silêncio estabelece um belo diálogo, repleto de demonstrações didáticas, para explicar o seu direito e suas razões por tomar essa decisão. Em vez apenas de reprimir, Deus dialoga.

Deus de forma alguma reprime nossa liberdade de argui-lo, pois precisa que sejamos livres para obter o que Ele mais deseja, o nosso amor. Por isso se abre ao escrutínio, permitindo questionemos sobre sua sabedoria, autoridade e caráter. É certo que muitas vezes as respostas não são da forma como queríamos, ou mesmo não são dadas. As razões podem ser variadas. Por exemplo, podemos ter uma compreensão limitada do contexto e, por isso, estarmos incapacitados para entendermos. Ou, às vezes, Deus julga que o melhor é não sabermos a resposta naquele momento. Mas em nenhum momento o questionamento sincero é reprimido.

Ao contrário de ditadores como Hitler, Mussolini e Hussein, que não toleravam questionamentos de seu governo, Deus se coloca a ser avaliado e conhecido intimamente por sua criação. Deus não só não afasta o questionador mas se coloca ao lado do sofredor e angustiado por respostas para lhe prover o necessário para seu alento. Outro exemplo mais atual foi o caso do jornalista estadunidense Lee Strobel, um ateu extremamente avesso ao cristianismo, que, ao descobrir a conversão da esposa, se propôs usar suas habilidades de jornalista investigativo para demonstrar a “farsa” do Cristianismo e resgatar sua esposa do erro. Entretanto, Deus, em vez de rejeitar seus questionamentos, pacientemente o mostrou as repostas que precisava e, como consequência, Lee Strobel se rendeu ao amor de Deus, (essa história é descrita pelo filme “Em defesa de Cristo“).

Portanto, as nossas indagações e perguntas sinceras serão sempre bem-vindas à Deus, pois ele está de braços abertos a ser conhecido e investigado. Podemos, e devemos, nos aproximar Dele com a mente aguçada para a investigação e Ele está pronto para nos auxiliar como for o melhor para encontrarmos a fé e a confiança que precisamos.

Deus está pronto para responder.E você, está preparado para suas respostas?

Conheça, pense sobre e avalie Deus. Então, se apaixone!

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 10 – Um Deus Santo.

Com fortes dores abdominais, você, depois de muito resistir, decide ir ao médico. Após uma hora e meia na fila, finalmente é chamado para o atendimento. Durante a conversa, descobre algumas informações que o deixam desconfortável: o médico possui a mesma formação que você, leu os mesmos livros e tem a mesma idade. Em outras palavras, ele não é formado em medicina.

É claro que essa é uma história fictícia. Mas como você reagiria caso fosse real? É ou não fundamental que o médico seja alguém diferente de você? Ele precisa ou não possuir características que o distingam de seus pacientes — como o conhecimento aprofundado sobre o corpo humano e os mecanismos adequados para corrigir problemas de saúde?

Essa diferença é essencial. E ela pode ser aplicada não apenas ao médico, mas a muitas outras situações em nossa vida, nas quais reconhecemos a necessidade de pessoas diferentes de nós, capazes de nos oferecer aquilo que precisamos.

Além da formação e da experiência distintas que qualificam o médico a nos atender com algo além do que poderíamos ter ou ser, nossa postura diante dele também deve ser diferente. Imagine que você, ao entrar no consultório, falasse sobre tudo, menos sobre os sintomas que sente. Ou que falasse sem parar, não permitindo ao médico expressar sua opinião. E, caso ele conseguisse falar, você tratasse suas palavras como comuns, tão banais quanto as de qualquer outra pessoa, e por isso não lhes desse importância. Por fim, imagine que, ao receber a receita com as orientações para sua cura, simplesmente a jogasse na próxima lixeira.

Essas posturas são evidentemente absurdas, pois nunca tratamos os médicos, enquanto médicos, como um de nós. Da mesma forma, não podemos tratar Deus como um de nós. O conceito que expressa essa peculiaridade é chamado de Santidade.

No cristianismo, a santidade de Deus traduz sua singularidade em relação à criação — a separação entre Ele e suas criaturas. Deus não é um de nós, ainda que tenhamos traços semelhantes, pois fomos feitos à sua imagem e semelhança (Gn 1:26). Isso significa que Ele pode nos oferecer o que não temos e, ao mesmo tempo, requer de nós um relacionamento diferenciado. O termo “santidade” significa, em sua raiz, separação ou distinção. Essa singularidade garante que, em Deus, há um diferencial. Participar das coisas relacionadas a Ele significa experimentar algo que não está em nós mesmos. Ele possui propriedades que jamais alcançaríamos sozinhos. Assim como na relação paciente-médico, a distinção de papéis entre nós e Deus é essencial no processo de sermos curados por Ele.

A santidade de Deus é a certeza de que Ele é diferente de nós e possui algo que só nEle encontraremos. Essa verdade se expressa em vários momentos nas Escrituras. Por exemplo, quando Moisés viu a sarça em chamas, mas que não se consumia (Êx 3:1-6), Deus ordenou que ele retirasse as sandálias, mudando sua atitude, pois o lugar era santo. Mas o que o tornou santo? A presença de um Deus Santo. Moisés ficou tão impressionado que cobriu o rosto em reverência.

Outro exemplo está em Jesus, quando encontrou pessoas comprando e vendendo dentro do Templo, espaço destinado à oração, à comunhão, à remissão e à cura (Mt 21:12-17). Ele se revoltou, expulsou os vendedores e restaurou a santidade do local.

Hoje, contudo, há uma tendência de apagar as barreiras entre o comum e o sagrado. Muitos afirmam que essa separação apenas distancia as pessoas de Deus. Porém, como vimos, ela não apenas é sustentada pela Bíblia, como é necessária. Quando dissolvemos essas barreiras, diluímos a santidade de Deus e sua singularidade. E, nesse caso, Ele se tornaria apenas “mais do mesmo”. Mas por que precisaríamos de mais do mesmo?

Assim como necessitamos de um médico semelhante, mas não idêntico a nós, precisamos de um Deus próximo, mas ainda diferente. Um Deus que sabe quem somos e quem deveríamos ser, e que pode nos dar aquilo que não possuímos. Sem a certeza de sua santidade, não podemos desfrutar plenamente de um relacionamento confiável e seguro com Ele. É justamente a certeza de que Ele é especial que me leva a ter uma postura especial diante dEle, e a receber a cura única que só Ele pode oferecer.

Portanto, ao se aproximar de Deus, lembre-se de que Ele o ama. Mas reconheça também que Ele é Santo, e que, como tal, requer que você se relacione com Ele de forma diferente. Ao se ajoelhar em submissão e entrega, reconheça que está diante de quem o conhece melhor do que você mesmo. Esteja mais disposto a ouvir o que Deus tem a dizer.

Quem é o Eu Sou? 9 – Um Deus que respeita sua criação.

Recentemente li um artigo que me chamou a atenção pelo comportamento inusitado que descrevia: homens japoneses estavam cada vez mais substituindo o relacionamento com mulheres reais por bonecas de silicone super-realistas. A essas “mulheres”, os proprietários dedicam tempo, compram joias e até as levam para passear. Em contrapartida, sentem-se livres para ter “relações” quando quiserem, sem o risco da rejeição. Segundo um dos adeptos, a escolha se deve ao fato de que, para ele, as mulheres japonesas “possuem um coração duro e são egoístas”.

Mas o que pensar sobre esse “relacionamento”? Não seria falta de respeito com a “mulher” de silicone usá-la como e quando quiser? A resposta é simples: não. Porque elas são bonecas! Não pensam, não sentem e não possuem vontade própria. Portanto, não faz sentido falar em respeito ou valorização nesse caso. No entanto, se o mesmo tratamento fosse aplicado a mulheres reais, certamente haveria protestos e manifestações de repúdio. Afinal, mulheres são seres livres, pensantes e dotados de dignidade, e por isso devem ser respeitadas.

E aqui está o ponto essencial: Deus faz isso conosco. Ele nos respeita e nos valoriza.

Ao nos criar, Deus nos dotou de características que refletem o Seu caráter. Somos seres livres e pensantes. Pensar significa avaliar, ponderar e decidir; e a liberdade nos dá o direito de escolher o caminho que desejarmos. Essas duas faculdades — razão e liberdade — são essenciais para a felicidade humana em todas as relações. Por exemplo, sem a liberdade de rejeitar, um relacionamento jamais poderia expressar plenamente o valor de ser escolhido.

Desde o princípio, Deus nos respeitou. Veja o que diz o texto:
“E o Senhor Deus ordenou ao homem: ‘Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá’” (Gn 2:16-17).

Apesar de ser uma ordem, o homem tinha plena possibilidade de escolher diferente — e, de fato, escolheu. Essa escolha abriu caminho para nossa condição atual: não mais totalmente livres, mas subjugados pelo egoísmo e pela insegurança. Seres feitos para amar não podem ser felizes em egoísmo.

O pecado enfraqueceu nossa liberdade e rompeu nossa relação com Deus. Mas Ele não nos abandonou! Mesmo que tenhamos escolhido o caminho errado, Deus — que é amor — assumiu como prioridade resolver nossa condição de infelicidade. Ele nos respeita demais para nos tratar como as bonecas japonesas são tratadas. Não poderia forçar o nosso amor, porque amor forçado não é amor.

E aqui surge a grande questão: como conquistar o amor de seres livres? A resposta é o plano da salvação. Um dos membros da Trindade aceitou reduzir-se à forma humana, para apresentar o caráter verdadeiro de Deus sem intermediários defeituosos, reconquistando nossa confiança e nosso amor. Ele nos buscou quando nós éramos os únicos culpados por nossa própria miséria. Só esse ato já é uma gigantesca prova de valorização.

Em Jesus temos a oportunidade única de conhecer a essência do Criador. O cristianismo apresenta um Deus que criou seres livres e pensantes, e que prova esse mesmo valor ao nos buscar, ao se adaptar às nossas limitações, e ao se revelar em uma linguagem acessível.

Diante disso, não seria um desrespeito rejeitar tão grande demonstração de amor? Mesmo que, no fim, alguém escolha não aceitá-lo, ao menos deveria permitir que Ele se apresente. Lendo a “carta de amor” que Deus deixou em sua Palavra e conhecendo Seu Filho, podemos descobrir quem Ele realmente é. Como declarou o próprio Jesus:

“Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?’” (Jo 14:9).

Portanto, não basta apenas ouvir falar de Deus. É preciso buscá-lo com sinceridade, conhecê-lo pessoalmente e então decidir se queremos ou não fazer parte dessa família de amor.

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 8 – Um Deus que põe ordem.

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Você já sentiu o prazer de ordenar ou organizar algo? A princípio, quando olhamos para o tamanho do caos que precisa ser arrumado, bate certo desânimo. No meu caso, por exemplo, ao final de um semestre letivo, depois de tantas aulas preparadas e projetos desenvolvidos, tanto meu escritório quanto meu computador precisam ser limpos e organizados. No começo eu resisto um pouco, mas, ao concluir a tarefa, sinto uma satisfação profunda e uma admiração pelo resultado que faz todo o esforço valer a pena.

Mas por que valorizamos tanto a ordem? Por que estamos constantemente em busca de catalogar, organizar e estruturar locais, objetos e atividades? É verdade que a ordem promove eficiência e produtividade, mas creio que há algo além: existe uma beleza inerente na ordem que inspira e desperta admiração no coração humano. Essa beleza parece estar incutida em nossa própria natureza, levando-nos a buscar, identificar e valorizar a ordem. Além disso, a ordem transmite bem-estar e senso de controle, motivando-nos a seguir em frente. De onde vem essa necessidade e prazer pela ordem? O cristianismo oferece uma resposta: explica a origem dessa característica humana e revela um aspecto essencial do caráter de Deus.

Segundo a Bíblia, fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Podemos, então, presumir que nossa admiração e busca pela ordem são reflexos do caráter divino em nós. Essa ideia encontra apoio em diversas passagens bíblicas, especialmente no relato da criação. Antes de Deus preparar a Terra para a vida, “ela estava sem forma e vazia” (Gn 1:2), em um estado caótico e sem propósito. Nos três primeiros dias, Deus organiza a Terra, criando luz, separando oceanos e estabelecendo a terra seca com vegetação. Esses atos preparatórios criam espaços a serem preenchidos. Nos três dias seguintes, Deus os povoa: Sol, Lua e estrelas; peixes e aves; animais e, por fim, o homem. O sétimo dia é separado não para criar, mas para celebrar a comunhão entre o ser humano e seu Deus. Esse padrão mostra o caráter ordenador do Criador, que organiza tudo com propósito e encaixa cada elemento em seu devido lugar. Deus prepara o presente para receber o futuro.

O mesmo acontece na criação do homem. Deus molda o pó da terra, uma substância sem forma e sem finalidade, e a transforma em um ser racional, portador de sua imagem (Gn 2:7). Esse é o maior milagre: do caos, surge um ser capaz de pensar, sentir, escolher e amar. Séculos mais tarde, Deus novamente revelou seu caráter ordenador ao libertar Israel da escravidão do Egito. Aquele povo, sem identidade e esmagado por séculos de opressão, foi transformado em uma nação estruturada, com um sofisticado sistema de adoração, leis civis e sanitárias. Tudo isso confirma a declaração: “O domínio e o temor pertencem a Deus; ele impõe ordem nas alturas que a ele pertencem” (Jó 25:2).

Na plenitude dos tempos, Jesus revelou o caráter do Deus que ordena vidas. Ele reuniu homens rudes, em sua maioria iletrados, sem maiores ambições além da subsistência de suas famílias, e os transformou em líderes de um movimento destinado a levar ao mundo a mensagem de amor, poder e misericórdia de Deus. Isso revela que o Senhor não apenas organiza a matéria inanimada, mas também é o reordenador de vidas humanas, dando-lhes propósito e sentido.

Reconhecer que Deus é um Deus de ordem nos leva a uma certeza: ninguém melhor do que Ele pode organizar o caos em que muitas vezes vivemos. Sabe aqueles momentos em que sua vida parece mais emaranhada que um carretel de linha bagunçado nas mãos de uma criança? Ou quando você olha para si mesmo e se sente “sem forma e vazio”? É exatamente aí que Deus age. Ele chega, organiza e dá vida ao que antes era trevas, caos e desordem.

Portanto, até que o ser humano seja capaz de pegar um punhado de barro e transformá-lo em alguém capaz de amar, sempre haverá um candidato melhor para ser o ordenador de vidas. Esse candidato tem nome: Jesus!

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

 

 

Quem é o Eu Sou? 7- O Deus que Lembra, mas Escolhe Esquecer

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Você já parou para reconhecer a dádiva que é o esquecimento? Imagine o caos se pudéssemos lembrar de cada episódio vivido como se tivesse acontecido há apenas alguns instantes. É verdade que isso nos permitiria reviver continuamente as alegrias e os sentimentos felizes de boas experiências, mas também nos obrigaria a conviver com as lembranças constantes das dores, angústias, frustrações e traumas. Seria tanto sofrimento a administrar que dificilmente conseguiríamos manter o equilíbrio necessário para valorizar as memórias agradáveis.

Além disso, como seria possível construir relacionamentos se fôssemos obrigados a guardar, de forma tão vívida, cada decepção, traição ou dor que alguém nos causou? Como perdoar e sentir o coração leve se a lembrança não pudesse ser atenuada — ou até apagada — pelo tempo? Certamente seria quase impossível experimentar verdadeira paz em qualquer relacionamento.

Mas nós esquecemos! E, graças a isso, podemos viver e nos relacionar com alegria. Pois mesmo os maiores problemas e traumas podem ser perdoados e, ainda que não totalmente apagados, vão se desvanecendo até não mais nos aprisionarem.

E Deus? Será que Ele se esquece?

Para começar, precisamos refletir: se afirmarmos que Deus se esquece, estaríamos dizendo que existe uma informação inacessível à mente do Todo-Poderoso. Algo contraditório, pois como Aquele que criou todo o universo apenas com suas palavras seria incapaz de acessar algo contido em sua própria mente? Além disso, afirmar que Deus esquece seria limitar o Criador do tempo à sua própria criação.

Mas Deus mesmo declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22:13). Ou seja, Ele não está sujeito ao tempo. Para Deus, passado, presente e futuro estão igualmente diante dEle. Por isso, afirmar que Deus esquece literalmente vai contra sua própria natureza.

Então, como entender sua declaração: “Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais dos seus pecados” (Is 43:25)?

Para compreender, precisamos pensar no significado de “esquecer”. Para nós, esquecer é perder o acesso a uma memória. Porém, se mesmo lembrando de algo, escolhemos agir como se essa informação não existisse, o efeito é o mesmo de tê-la esquecido. Com o tempo, essa memória vai se enfraquecendo, até desaparecer. Mas para Deus, que não está limitado pelo tempo, o ontem é hoje, e o amanhã é agora.

Portanto, quando a Bíblia diz que Deus esquece, significa que Ele ainda tem a memória nítida diante de si, mas decide não levá-la em consideração. O perdão de Deus não é a ausência da lembrança, mas a decisão amorosa de não permitir que essa lembrança pese contra nós.

Quando nós perdoamos, mesmo que ainda doa, com o tempo a lembrança se apaga. Mas Deus é diferente: Ele continua lembrando claramente, mas escolhe amar de tal forma que a lembrança não tem poder sobre sua decisão. Seu amor é maior que qualquer frustração ou decepção.

Esse entendimento torna o sacrifício de Jesus ainda mais profundo. Ele deixou o trono do céu, cheio de amor e glória, para viver em um mundo marcado pelo egoísmo e pela dor. E como Deus não pode esquecer de fato, mas apenas de efeito, cada dor e sofrimento que Cristo experimentou nesta Terra permanecem vívidos em sua memória. Contudo, isso não diminui em nada o seu amor por nós.

Esse é o Deus com quem vale a pena se relacionar! Ele pode saber tudo o que você fez, como se tivesse acontecido ontem, mas ainda assim o ama como se você nunca tivesse errado.

Deus lembra, mas escolhe esquecer — porque te ama!

 

Quem é o Eu Sou? 6- Deus se comunica assumindo as características de sua criação.

Imagem relacionadaUma vez eu li um texto que relatava que o príncipe William da Inglaterra sempre se comunicava com seu filho mais velho, George, se abaixando até sua altura. Essa postura é sugerida pelos psicólogos como uma excelente forma de ajudar a criança a se sentir à vontade em sua companhia e, como consequência, entender melhor a mensagem que você espera transmitir a ela. Esse princípio também pode ser observado em bons palestrantes ou professores. Esses profissionais costumam apresentar uma sensibilidade singular ao conseguir se comunicar com o público em uma linguagem e maneira que lhes seja familiar. Por essas razões podemos concluir que a melhor maneira de nos comunicarmos é utilizar a mesma linguagem, cultura e modos daqueles com quem desejamos estabelecer essa comunicação. Pois bem, foi exatamente esse o plano da trindade. O ser humano precisava de uma representação clara daquele que o criara e cuidava dele afim de compreender o seu amor e desejar se relacionar com ele. Por esta razão o Filho se fez o mediador:

Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, ” 1 Timóteo 2:5

Ao ser um mediador Jesus é mais que um conciliador de conflitos, é um transmissor de mensagem, tal que a raiz da palavra mediador é a mesma de “media”, de meio de comunicação. Foi através de Jesus que Deus demonstra ao universo, especialmente aos seres humanos, qual é a essência de seu caráter. Para transmitir essa mensagem Jesus assumiu as mesmas características daqueles com quem desejava se comunicar. Nesse sentido ele deu tudo de si. Em vez de enviar a mensagem de uma posição distante e fria Jesus tomou a forma humana e tornando, inteiramente, através de todo o seu corpo, a própria mensagem. Agora todos poderiam ouvir a voz, abraçar e sentir o carinho e cuidado de Deus. Sob essa perspectiva, o texto seguinte atinge um significado mais profundo

Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. Lucas 22:19

Isso significa, literalmente seu corpo,  pois Jesus por inteiro; seu sangue, sua vida e sua morte, são a mensagem que DEUS É AMOR! Jesus é a janela através da qual podemos entender as caráter de Deus. Por isso, não há como outro ser pretender assumir o papel de mediador entre Deus e o homem, além de Jesus. Só um Deus que se fez homem é capaz de conhecer os atributos de Deus e as características e necessidades de sua criação e revelá-los aos homens em uma linguagem familiar ao ser humano.

Portanto, ao olhar para Jesus você precisa enxergar o ápice do esforço divino em se fazer compreensivo e aceito pelo homem. Enquanto muitos hoje buscam criar formas de se fazerem aceitos e compreendidos por Deus, Jesus é a mensagem clara que Deus deu tudo em prol de nos conquistar. Não há nada que precisamos fazer para conquistar seu Amor. Só precisamos abrir os braços e receber seu abraço. Vejam o que Jesus nos diz:

Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos.” Ap. 3:20

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .