Somos espirituais por natureza

A espiritualidade é algo inerente ao ser humano! Esse fato é amplamente documentado pela ciência. O neurocientista e filósofo Sam Harris, conhecido por suas críticas ferozes à religião, especialmente ao cristianismo, admite que todos nós temos uma necessidade de exercer a espiritualidade — embora, em sua visão, isso deva ocorrer sem qualquer religião. No entanto, o que ainda carece de uma explicação concreta é por que, sendo fruto de um processo material, sem qualquer origem religiosa, como advoga o naturalismo, os seres humanos possuem a espiritualidade como um traço tão marcante de sua identidade.

A espiritualidade é algo sui generis, pois expressa uma necessidade que transcende a existência material. Ela não se vincula a processos naturais conhecidos, mas nos impele a buscar respostas além de nossa experiência imediata. Surge então a pergunta: quem nos disse que essas respostas se encontram fora do domínio natural? Quando começamos a olhar para o céu em busca de explicações? Como podemos explicar esse impulso tão profundo na essência humana?

E se, simplesmente, a resposta para essas questões fosse mais simples do que imaginamos? E se a espiritualidade fizesse parte da nossa construção essencial porque reflete uma realidade subjacente à nossa existência? E se não fôssemos fruto do acaso, mas sim seres criados com significado e propósito por um Deus cuja essência se manifesta em nossa necessidade Dele — uma necessidade tão profunda que apenas Ele pode satisfazer? Talvez, ao aceitar que a resposta mais simples seja a verdadeira, possamos abraçar uma dimensão da vida que nos completa. Nesse relacionamento com Deus, não vemos apenas um ser externo, mas alguém cuja presença é indispensável para nossa plenitude. Como disse C. S. Lewis: “Descobri em mim desejos que nada neste mundo pode satisfazer. A única explicação lógica é que fui feito para outro mundo.”

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Quem é o Eu Sou? 2- Deus quer emocionar-se com você

Como você se sentiu ao reencontrar alguém que ama, depois de muito tempo? Ou quando conquistou aquela oportunidade tão sonhada? E ao perceber o carinho e a afeição vindos de alguém especial?
São as emoções que dão cor a essas experiências. Elas são a base de todo estado de satisfação e felicidade que experimentamos. Não é possível ser feliz sem se emocionar.

Assim como possuímos razão, possuímos também emoções porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Sendo assim, a relação entre dois seres dotados de emoções deve naturalmente gerar estados emocionais (Lc 15:7). Deus deseja alegrar-se conosco e viver momentos de felicidade e prazer ao nosso lado.

No artigo anterior desta série, vimos que nossa relação com Deus deve estar fundamentada na razão. No entanto, no mundo moderno, onde razão e emoção muitas vezes são vistas como forças opostas, é comum pensar que valorizar a razão significa diminuir o papel das emoções. Mas essa visão não corresponde à perspectiva bíblica sobre o caráter do “Eu Sou”, nem aos achados mais recentes da ciência sobre o funcionamento do cérebro.

A Bíblia apresenta o Reino de Deus como algo que inclui um estado emocional saudável: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). O próprio Jesus prometeu que o cumprimento final de Suas promessas resultará em alegria plena (Jo 16:20), mesmo que agora experimentemos dor e tristeza. Portanto, Deus não despreza as emoções, nem espera que as suprimamos; ao contrário, deseja gerar em nós alegria, paz e satisfação verdadeiras, fruto de um relacionamento íntimo com Ele.

A ciência também confirma a importância das emoções. Em Inteligência Emocional, Daniel Goleman mostra como elas são essenciais à experiência humana. Mas, como a razão e a emoção devem interagir para que experimentemos a felicidade plena? Tanto a neurociência quanto a Bíblia respondem de forma harmônica.

Segundo pesquisas em neurociência, estímulos externos chegam aos sentidos e são enviados ao tálamo, onde se transformam em linguagem cerebral. Em seguida, vão ao neocórtex (centro da razão), que avalia e decide como agir, enviando orientações à amígdala (centro das emoções). No funcionamento saudável, as emoções são fundamentais, mas devem ser guiadas pela razão. Timothy R. Jennings, em Simples Demais, ilustra: ao ver algo comprido sobre a grama, podemos sentir medo, mas a avaliação racional pode mostrar que se trata apenas de uma mangueira, e não de uma cobra — dissipando o medo.

Paulo ensina o mesmo princípio: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:1-2). Neste texto, o apóstolo Paulo declara que precisamos passar por uma transformação mental e desenvolver um culto racional para então experimentar — de forma plena — a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

A perspectiva paulina confirma o que a ciência observa: o funcionamento saudável do cérebro ocorre quando o sistema límbico, responsável pelas emoções, é coordenado pelo córtex pré-frontal, responsável pela razão e tomada de decisões conscientes. Isso não significa que razão e emoção estejam em competição, nem que uma seja mais importante que a outra; significa que, em termos de função, há uma ordem natural: a razão foi criada para orientar e guiar as emoções, e não o contrário. Quando essa ordem é respeitada, as emoções não apenas deixam de nos dominar, mas tornam-se mais estáveis, profundas e construtivas — exatamente o que Deus deseja gerar em nossa relação com Ele.

Assim, razão e emoção não competem; ambas são essenciais, mas cada uma deve ocupar seu lugar. Uma fé equilibrada é aquela em que o relacionamento com Deus é guiado pela reflexão consciente e resulta em emoções profundas, vivas e saudáveis.

O texto de Romanos deixa claro: minha relação com Deus precisa ser dirigida pela razão, mas não sem produzir emoções belas e intensas. Subestimar ou supervalorizar qualquer um desses aspectos me impedirá de experimentar a suprema felicidade de uma intimidade de amor com Deus.

O grande “Eu Sou” quer se emocionar com você!