Quem é o Eu Sou? 10 – Um Deus Santo.

Com fortes dores abdominais, você, depois de muito resistir, decide ir ao médico. Após uma hora e meia na fila, finalmente é chamado para o atendimento. Durante a conversa, descobre algumas informações que o deixam desconfortável: o médico possui a mesma formação que você, leu os mesmos livros e tem a mesma idade. Em outras palavras, ele não é formado em medicina.

É claro que essa é uma história fictícia. Mas como você reagiria caso fosse real? É ou não fundamental que o médico seja alguém diferente de você? Ele precisa ou não possuir características que o distingam de seus pacientes — como o conhecimento aprofundado sobre o corpo humano e os mecanismos adequados para corrigir problemas de saúde?

Essa diferença é essencial. E ela pode ser aplicada não apenas ao médico, mas a muitas outras situações em nossa vida, nas quais reconhecemos a necessidade de pessoas diferentes de nós, capazes de nos oferecer aquilo que precisamos.

Além da formação e da experiência distintas que qualificam o médico a nos atender com algo além do que poderíamos ter ou ser, nossa postura diante dele também deve ser diferente. Imagine que você, ao entrar no consultório, falasse sobre tudo, menos sobre os sintomas que sente. Ou que falasse sem parar, não permitindo ao médico expressar sua opinião. E, caso ele conseguisse falar, você tratasse suas palavras como comuns, tão banais quanto as de qualquer outra pessoa, e por isso não lhes desse importância. Por fim, imagine que, ao receber a receita com as orientações para sua cura, simplesmente a jogasse na próxima lixeira.

Essas posturas são evidentemente absurdas, pois nunca tratamos os médicos, enquanto médicos, como um de nós. Da mesma forma, não podemos tratar Deus como um de nós. O conceito que expressa essa peculiaridade é chamado de Santidade.

No cristianismo, a santidade de Deus traduz sua singularidade em relação à criação — a separação entre Ele e suas criaturas. Deus não é um de nós, ainda que tenhamos traços semelhantes, pois fomos feitos à sua imagem e semelhança (Gn 1:26). Isso significa que Ele pode nos oferecer o que não temos e, ao mesmo tempo, requer de nós um relacionamento diferenciado. O termo “santidade” significa, em sua raiz, separação ou distinção. Essa singularidade garante que, em Deus, há um diferencial. Participar das coisas relacionadas a Ele significa experimentar algo que não está em nós mesmos. Ele possui propriedades que jamais alcançaríamos sozinhos. Assim como na relação paciente-médico, a distinção de papéis entre nós e Deus é essencial no processo de sermos curados por Ele.

A santidade de Deus é a certeza de que Ele é diferente de nós e possui algo que só nEle encontraremos. Essa verdade se expressa em vários momentos nas Escrituras. Por exemplo, quando Moisés viu a sarça em chamas, mas que não se consumia (Êx 3:1-6), Deus ordenou que ele retirasse as sandálias, mudando sua atitude, pois o lugar era santo. Mas o que o tornou santo? A presença de um Deus Santo. Moisés ficou tão impressionado que cobriu o rosto em reverência.

Outro exemplo está em Jesus, quando encontrou pessoas comprando e vendendo dentro do Templo, espaço destinado à oração, à comunhão, à remissão e à cura (Mt 21:12-17). Ele se revoltou, expulsou os vendedores e restaurou a santidade do local.

Hoje, contudo, há uma tendência de apagar as barreiras entre o comum e o sagrado. Muitos afirmam que essa separação apenas distancia as pessoas de Deus. Porém, como vimos, ela não apenas é sustentada pela Bíblia, como é necessária. Quando dissolvemos essas barreiras, diluímos a santidade de Deus e sua singularidade. E, nesse caso, Ele se tornaria apenas “mais do mesmo”. Mas por que precisaríamos de mais do mesmo?

Assim como necessitamos de um médico semelhante, mas não idêntico a nós, precisamos de um Deus próximo, mas ainda diferente. Um Deus que sabe quem somos e quem deveríamos ser, e que pode nos dar aquilo que não possuímos. Sem a certeza de sua santidade, não podemos desfrutar plenamente de um relacionamento confiável e seguro com Ele. É justamente a certeza de que Ele é especial que me leva a ter uma postura especial diante dEle, e a receber a cura única que só Ele pode oferecer.

Portanto, ao se aproximar de Deus, lembre-se de que Ele o ama. Mas reconheça também que Ele é Santo, e que, como tal, requer que você se relacione com Ele de forma diferente. Ao se ajoelhar em submissão e entrega, reconheça que está diante de quem o conhece melhor do que você mesmo. Esteja mais disposto a ouvir o que Deus tem a dizer.

Quem é o Eu Sou? 9 – Um Deus que respeita sua criação.

Recentemente li um artigo que me chamou a atenção pelo comportamento inusitado que descrevia: homens japoneses estavam cada vez mais substituindo o relacionamento com mulheres reais por bonecas de silicone super-realistas. A essas “mulheres”, os proprietários dedicam tempo, compram joias e até as levam para passear. Em contrapartida, sentem-se livres para ter “relações” quando quiserem, sem o risco da rejeição. Segundo um dos adeptos, a escolha se deve ao fato de que, para ele, as mulheres japonesas “possuem um coração duro e são egoístas”.

Mas o que pensar sobre esse “relacionamento”? Não seria falta de respeito com a “mulher” de silicone usá-la como e quando quiser? A resposta é simples: não. Porque elas são bonecas! Não pensam, não sentem e não possuem vontade própria. Portanto, não faz sentido falar em respeito ou valorização nesse caso. No entanto, se o mesmo tratamento fosse aplicado a mulheres reais, certamente haveria protestos e manifestações de repúdio. Afinal, mulheres são seres livres, pensantes e dotados de dignidade, e por isso devem ser respeitadas.

E aqui está o ponto essencial: Deus faz isso conosco. Ele nos respeita e nos valoriza.

Ao nos criar, Deus nos dotou de características que refletem o Seu caráter. Somos seres livres e pensantes. Pensar significa avaliar, ponderar e decidir; e a liberdade nos dá o direito de escolher o caminho que desejarmos. Essas duas faculdades — razão e liberdade — são essenciais para a felicidade humana em todas as relações. Por exemplo, sem a liberdade de rejeitar, um relacionamento jamais poderia expressar plenamente o valor de ser escolhido.

Desde o princípio, Deus nos respeitou. Veja o que diz o texto:
“E o Senhor Deus ordenou ao homem: ‘Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá’” (Gn 2:16-17).

Apesar de ser uma ordem, o homem tinha plena possibilidade de escolher diferente — e, de fato, escolheu. Essa escolha abriu caminho para nossa condição atual: não mais totalmente livres, mas subjugados pelo egoísmo e pela insegurança. Seres feitos para amar não podem ser felizes em egoísmo.

O pecado enfraqueceu nossa liberdade e rompeu nossa relação com Deus. Mas Ele não nos abandonou! Mesmo que tenhamos escolhido o caminho errado, Deus — que é amor — assumiu como prioridade resolver nossa condição de infelicidade. Ele nos respeita demais para nos tratar como as bonecas japonesas são tratadas. Não poderia forçar o nosso amor, porque amor forçado não é amor.

E aqui surge a grande questão: como conquistar o amor de seres livres? A resposta é o plano da salvação. Um dos membros da Trindade aceitou reduzir-se à forma humana, para apresentar o caráter verdadeiro de Deus sem intermediários defeituosos, reconquistando nossa confiança e nosso amor. Ele nos buscou quando nós éramos os únicos culpados por nossa própria miséria. Só esse ato já é uma gigantesca prova de valorização.

Em Jesus temos a oportunidade única de conhecer a essência do Criador. O cristianismo apresenta um Deus que criou seres livres e pensantes, e que prova esse mesmo valor ao nos buscar, ao se adaptar às nossas limitações, e ao se revelar em uma linguagem acessível.

Diante disso, não seria um desrespeito rejeitar tão grande demonstração de amor? Mesmo que, no fim, alguém escolha não aceitá-lo, ao menos deveria permitir que Ele se apresente. Lendo a “carta de amor” que Deus deixou em sua Palavra e conhecendo Seu Filho, podemos descobrir quem Ele realmente é. Como declarou o próprio Jesus:

“Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?’” (Jo 14:9).

Portanto, não basta apenas ouvir falar de Deus. É preciso buscá-lo com sinceridade, conhecê-lo pessoalmente e então decidir se queremos ou não fazer parte dessa família de amor.

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 8 – Um Deus que põe ordem.

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Você já sentiu o prazer de ordenar ou organizar algo? A princípio, quando olhamos para o tamanho do caos que precisa ser arrumado, bate certo desânimo. No meu caso, por exemplo, ao final de um semestre letivo, depois de tantas aulas preparadas e projetos desenvolvidos, tanto meu escritório quanto meu computador precisam ser limpos e organizados. No começo eu resisto um pouco, mas, ao concluir a tarefa, sinto uma satisfação profunda e uma admiração pelo resultado que faz todo o esforço valer a pena.

Mas por que valorizamos tanto a ordem? Por que estamos constantemente em busca de catalogar, organizar e estruturar locais, objetos e atividades? É verdade que a ordem promove eficiência e produtividade, mas creio que há algo além: existe uma beleza inerente na ordem que inspira e desperta admiração no coração humano. Essa beleza parece estar incutida em nossa própria natureza, levando-nos a buscar, identificar e valorizar a ordem. Além disso, a ordem transmite bem-estar e senso de controle, motivando-nos a seguir em frente. De onde vem essa necessidade e prazer pela ordem? O cristianismo oferece uma resposta: explica a origem dessa característica humana e revela um aspecto essencial do caráter de Deus.

Segundo a Bíblia, fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Podemos, então, presumir que nossa admiração e busca pela ordem são reflexos do caráter divino em nós. Essa ideia encontra apoio em diversas passagens bíblicas, especialmente no relato da criação. Antes de Deus preparar a Terra para a vida, “ela estava sem forma e vazia” (Gn 1:2), em um estado caótico e sem propósito. Nos três primeiros dias, Deus organiza a Terra, criando luz, separando oceanos e estabelecendo a terra seca com vegetação. Esses atos preparatórios criam espaços a serem preenchidos. Nos três dias seguintes, Deus os povoa: Sol, Lua e estrelas; peixes e aves; animais e, por fim, o homem. O sétimo dia é separado não para criar, mas para celebrar a comunhão entre o ser humano e seu Deus. Esse padrão mostra o caráter ordenador do Criador, que organiza tudo com propósito e encaixa cada elemento em seu devido lugar. Deus prepara o presente para receber o futuro.

O mesmo acontece na criação do homem. Deus molda o pó da terra, uma substância sem forma e sem finalidade, e a transforma em um ser racional, portador de sua imagem (Gn 2:7). Esse é o maior milagre: do caos, surge um ser capaz de pensar, sentir, escolher e amar. Séculos mais tarde, Deus novamente revelou seu caráter ordenador ao libertar Israel da escravidão do Egito. Aquele povo, sem identidade e esmagado por séculos de opressão, foi transformado em uma nação estruturada, com um sofisticado sistema de adoração, leis civis e sanitárias. Tudo isso confirma a declaração: “O domínio e o temor pertencem a Deus; ele impõe ordem nas alturas que a ele pertencem” (Jó 25:2).

Na plenitude dos tempos, Jesus revelou o caráter do Deus que ordena vidas. Ele reuniu homens rudes, em sua maioria iletrados, sem maiores ambições além da subsistência de suas famílias, e os transformou em líderes de um movimento destinado a levar ao mundo a mensagem de amor, poder e misericórdia de Deus. Isso revela que o Senhor não apenas organiza a matéria inanimada, mas também é o reordenador de vidas humanas, dando-lhes propósito e sentido.

Reconhecer que Deus é um Deus de ordem nos leva a uma certeza: ninguém melhor do que Ele pode organizar o caos em que muitas vezes vivemos. Sabe aqueles momentos em que sua vida parece mais emaranhada que um carretel de linha bagunçado nas mãos de uma criança? Ou quando você olha para si mesmo e se sente “sem forma e vazio”? É exatamente aí que Deus age. Ele chega, organiza e dá vida ao que antes era trevas, caos e desordem.

Portanto, até que o ser humano seja capaz de pegar um punhado de barro e transformá-lo em alguém capaz de amar, sempre haverá um candidato melhor para ser o ordenador de vidas. Esse candidato tem nome: Jesus!

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

 

 

Quem é o Eu Sou? 7- O Deus que Lembra, mas Escolhe Esquecer

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Você já parou para reconhecer a dádiva que é o esquecimento? Imagine o caos se pudéssemos lembrar de cada episódio vivido como se tivesse acontecido há apenas alguns instantes. É verdade que isso nos permitiria reviver continuamente as alegrias e os sentimentos felizes de boas experiências, mas também nos obrigaria a conviver com as lembranças constantes das dores, angústias, frustrações e traumas. Seria tanto sofrimento a administrar que dificilmente conseguiríamos manter o equilíbrio necessário para valorizar as memórias agradáveis.

Além disso, como seria possível construir relacionamentos se fôssemos obrigados a guardar, de forma tão vívida, cada decepção, traição ou dor que alguém nos causou? Como perdoar e sentir o coração leve se a lembrança não pudesse ser atenuada — ou até apagada — pelo tempo? Certamente seria quase impossível experimentar verdadeira paz em qualquer relacionamento.

Mas nós esquecemos! E, graças a isso, podemos viver e nos relacionar com alegria. Pois mesmo os maiores problemas e traumas podem ser perdoados e, ainda que não totalmente apagados, vão se desvanecendo até não mais nos aprisionarem.

E Deus? Será que Ele se esquece?

Para começar, precisamos refletir: se afirmarmos que Deus se esquece, estaríamos dizendo que existe uma informação inacessível à mente do Todo-Poderoso. Algo contraditório, pois como Aquele que criou todo o universo apenas com suas palavras seria incapaz de acessar algo contido em sua própria mente? Além disso, afirmar que Deus esquece seria limitar o Criador do tempo à sua própria criação.

Mas Deus mesmo declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22:13). Ou seja, Ele não está sujeito ao tempo. Para Deus, passado, presente e futuro estão igualmente diante dEle. Por isso, afirmar que Deus esquece literalmente vai contra sua própria natureza.

Então, como entender sua declaração: “Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais dos seus pecados” (Is 43:25)?

Para compreender, precisamos pensar no significado de “esquecer”. Para nós, esquecer é perder o acesso a uma memória. Porém, se mesmo lembrando de algo, escolhemos agir como se essa informação não existisse, o efeito é o mesmo de tê-la esquecido. Com o tempo, essa memória vai se enfraquecendo, até desaparecer. Mas para Deus, que não está limitado pelo tempo, o ontem é hoje, e o amanhã é agora.

Portanto, quando a Bíblia diz que Deus esquece, significa que Ele ainda tem a memória nítida diante de si, mas decide não levá-la em consideração. O perdão de Deus não é a ausência da lembrança, mas a decisão amorosa de não permitir que essa lembrança pese contra nós.

Quando nós perdoamos, mesmo que ainda doa, com o tempo a lembrança se apaga. Mas Deus é diferente: Ele continua lembrando claramente, mas escolhe amar de tal forma que a lembrança não tem poder sobre sua decisão. Seu amor é maior que qualquer frustração ou decepção.

Esse entendimento torna o sacrifício de Jesus ainda mais profundo. Ele deixou o trono do céu, cheio de amor e glória, para viver em um mundo marcado pelo egoísmo e pela dor. E como Deus não pode esquecer de fato, mas apenas de efeito, cada dor e sofrimento que Cristo experimentou nesta Terra permanecem vívidos em sua memória. Contudo, isso não diminui em nada o seu amor por nós.

Esse é o Deus com quem vale a pena se relacionar! Ele pode saber tudo o que você fez, como se tivesse acontecido ontem, mas ainda assim o ama como se você nunca tivesse errado.

Deus lembra, mas escolhe esquecer — porque te ama!

 

Quem é o Eu Sou? 6- Deus se comunica assumindo as características de sua criação.

Imagem relacionadaUma vez eu li um texto que relatava que o príncipe William da Inglaterra sempre se comunicava com seu filho mais velho, George, se abaixando até sua altura. Essa postura é sugerida pelos psicólogos como uma excelente forma de ajudar a criança a se sentir à vontade em sua companhia e, como consequência, entender melhor a mensagem que você espera transmitir a ela. Esse princípio também pode ser observado em bons palestrantes ou professores. Esses profissionais costumam apresentar uma sensibilidade singular ao conseguir se comunicar com o público em uma linguagem e maneira que lhes seja familiar. Por essas razões podemos concluir que a melhor maneira de nos comunicarmos é utilizar a mesma linguagem, cultura e modos daqueles com quem desejamos estabelecer essa comunicação. Pois bem, foi exatamente esse o plano da trindade. O ser humano precisava de uma representação clara daquele que o criara e cuidava dele afim de compreender o seu amor e desejar se relacionar com ele. Por esta razão o Filho se fez o mediador:

Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, ” 1 Timóteo 2:5

Ao ser um mediador Jesus é mais que um conciliador de conflitos, é um transmissor de mensagem, tal que a raiz da palavra mediador é a mesma de “media”, de meio de comunicação. Foi através de Jesus que Deus demonstra ao universo, especialmente aos seres humanos, qual é a essência de seu caráter. Para transmitir essa mensagem Jesus assumiu as mesmas características daqueles com quem desejava se comunicar. Nesse sentido ele deu tudo de si. Em vez de enviar a mensagem de uma posição distante e fria Jesus tomou a forma humana e tornando, inteiramente, através de todo o seu corpo, a própria mensagem. Agora todos poderiam ouvir a voz, abraçar e sentir o carinho e cuidado de Deus. Sob essa perspectiva, o texto seguinte atinge um significado mais profundo

Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. Lucas 22:19

Isso significa, literalmente seu corpo,  pois Jesus por inteiro; seu sangue, sua vida e sua morte, são a mensagem que DEUS É AMOR! Jesus é a janela através da qual podemos entender as caráter de Deus. Por isso, não há como outro ser pretender assumir o papel de mediador entre Deus e o homem, além de Jesus. Só um Deus que se fez homem é capaz de conhecer os atributos de Deus e as características e necessidades de sua criação e revelá-los aos homens em uma linguagem familiar ao ser humano.

Portanto, ao olhar para Jesus você precisa enxergar o ápice do esforço divino em se fazer compreensivo e aceito pelo homem. Enquanto muitos hoje buscam criar formas de se fazerem aceitos e compreendidos por Deus, Jesus é a mensagem clara que Deus deu tudo em prol de nos conquistar. Não há nada que precisamos fazer para conquistar seu Amor. Só precisamos abrir os braços e receber seu abraço. Vejam o que Jesus nos diz:

Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos.” Ap. 3:20

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

 

Quem é o Eu Sou? 5- Um Deus que se interessa.

Para você, Deus se interessa ou não por nós?
Uma resposta que tem conquistado muitos adeptos supõe que não. O deísmo é uma visão de mundo que até admite a existência de um ser todo-poderoso e criador do universo, mas afirma que, após tê-lo feito — pelo menos em sua forma primária —, Ele teria deixado tudo seguir suas próprias leis, sem mais intervir em sua criação. Assim, qualquer tentativa de estabelecer comunicação com esse ser superior seria inócua e irrelevante.

A pergunta que devemos fazer é: seria o Deus apresentado pelo cristianismo esse tipo de ser? Será que o “Eu Sou” se encaixa nesse perfil? Está Deus longe e desinteressado por nós, ou deseja se comunicar conosco?

O livro de Hebreus responde:

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1:1-2, ARA).

O escritor bíblico destaca dois pontos fundamentais. Primeiro: Deus deseja se relacionar conosco, e esse relacionamento se fundamenta na revelação de si mesmo — inicialmente por meio dos profetas e, de forma suprema, através de seu próprio Filho, a perfeita expressão de sua imagem. Segundo: o Filho, que veio revelar o Pai, é também coautor do universo. Portanto, dissociar o amor de Jesus do Criador é negar a própria verdade bíblica.

Isaías confirma o interesse pessoal e profundo de Deus:

“Assim diz o Alto e Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57:15, ARA).

Aqui, duas dimensões do caráter divino se harmonizam: ao mesmo tempo em que governa o universo em majestade, Deus manifesta cuidado íntimo por cada pessoa que clama por sua presença.

Portanto, a questão não é se Ele deseja se relacionar conosco, mas se nós aceitaremos descer do trono de orgulho que construímos para permitir que Ele habite em nós. Talvez o deísmo não seja senão uma expressão do desejo humano de que Deus não se importasse conosco — apenas para que não precisássemos decidir entre aceitar ou rejeitar o Seu convite de amizade.

Mas o fato é que Deus, Jesus e o Espírito Santo já fizeram tudo o que podiam para restaurar esse relacionamento. Negar isso é impossível; a decisão agora é nossa. Deus não é um criador distante, que nos abandonou em um mundo marcado pela dor. Tal ser seria sádico, omisso diante do sofrimento humano. Pelo contrário: Ele se envolve conosco, sofre por nós e nos chama para uma relação transformadora.

É verdade: começar um novo relacionamento não é fácil. Mas aquele que o convida conhece cada detalhe de sua vida. Ele sabe de seus defeitos mais ocultos, e mesmo assim quer estar ao seu lado. Mais que isso: quer cuidar de você, quer amar você de forma completa e verdadeira. Não há necessidade de fingimento: basta permitir-se ser transformado à imagem e semelhança desse novo companheiro.

Não há o que temer. A mão dEle já está estendida. Estenda a sua.

“Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos passarinhos” (Lc 12:7, ARA).

A questão não é se Deus está interessado em nós, mas se estamos dispostos a responder ao Seu interesse eterno.

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 4- Deus é todo poderoso!

“Quem é Deus?” Essa pergunta nos acompanha desde sempre e, embora saibamos que a resposta completa esteja muito além de nossa capacidade, continuamos a refletir sobre ela. Mas, neste momento, gostaria de propor uma pergunta secundária: qual é a primeira resposta que costumamos receber?

Não sei se você concorda, mas com frequência leio e ouço que: Deus é todo-poderoso! O poder ilimitado de Deus é a característica mais utilizada para representá-lo. São inúmeras as músicas e poemas que exaltam Seu poder. A própria Bíblia descreve sua grandeza em várias passagens: “Grande é o Senhor e muito digno de louvor; e a sua grandeza, inescrutável” (Sl 145:3); ou ainda: “Porque para Deus nada é impossível” (Lc 1:37). Segundo esses versos, o poder de Deus não é apenas infinito, mas também uma razão para louvá-lo.

Em outra passagem, o profeta Isaías descreve quão pequenos somos diante da grandeza divina: “Quem mediu as águas na concha da mão, ou com o palmo definiu os limites dos céus? Quem jamais calculou o peso da terra, ou pesou os montes na balança e as colinas nos seus pratos?” (Is 40:12). O próprio Deus se apresenta de forma superlativa, tanto no tempo quanto no espaço: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1:8).

A Bíblia ainda utiliza como referência identificadora do Deus judaico-cristão a criação do mundo: “Fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:7; cf. Ex 20:11). Mas vai além: Deus não possui apenas o poder para criar, Ele também é o sustentador de todas as coisas: “E riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e dar força a tudo” (1 Cr 29:12).

Portanto, é evidente que o imenso poder de Deus é uma marca definidora de sua identidade. Mas seria essa característica o que O torna TODO-PODEROSO? A resposta é: não!

A justificativa para essa afirmação pode ser entendida com uma pergunta: como seria o governo do universo se Deus, possuindo todo o poder que tem, tivesse o caráter de um tirano como Adolf Hitler ou Joseph Stalin? O estado que reinaria no cosmos seria o medo, e não o amor — o que tornaria impossível a felicidade verdadeira. Esse cenário demonstra que, mesmo com poder infinito, sem amor Deus não poderia estabelecer um governo de plena alegria.

O que torna Deus verdadeiramente o Todo-Poderoso é o seu caráter. É Seu caráter de amor (cf. artigo anterior desta série: Deus é amor!) que faz com que Ele submeta todo Seu poder a um único propósito: servir e abençoar todos os seres criados, produzindo o mais alto grau de satisfação e felicidade.

Como consequência, as criaturas de Deus respondem com confiança, gratidão e amor, entregando-se voluntariamente em submissão a esse Deus que é amor. E aqui está a razão mais forte para chamá-lo de Todo-Poderoso: existe algo que nem mesmo o poder ilimitado de criar e sustentar o universo pode conquistar — o amor de seres inteligentes e livres. Esse amor só pode ser alcançado por meio do caráter de Deus. Ainda que ameaçasse com dor ou morte, Ele jamais receberia amor sincero sem que fosse fruto de Sua natureza amorosa.

Ao experimentarmos o poder de Deus a serviço de Seu caráter, é que retribuímos em amor. Nesse contexto, as palavras do profeta Zacarias ganham novo significado: “Esta é a palavra do Senhor para Zorobabel: ‘Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6).

Que, de agora em diante, seja o caráter de Deus aliado ao Seu infinito poder que nos motive a amá-lo, segui-lo e reconhecê-lo como o TODO-PODEROSO!

 

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Quem é o Eu Sou? 1- Deus espera que você use a Razão

Segundo a Bíblia, os seres humanos se diferenciam de toda a criação por uma característica especial: foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Se considerarmos que a capacidade de julgar, avaliar e pesar evidências — ou seja, o uso da razão — é uma de nossas habilidades mais distintivas, podemos compreender que Aquele que nos criou segundo Sua imagem também é um ser cujo uso da razão é essencial à Sua natureza.

O cerne de toda experiência religiosa é estabelecer uma relação com o transcendental. Sendo nós e Deus seres racionais, surge a pergunta: como seres racionais se relacionam? A resposta pode ser iluminada pelo livro do profeta Isaías: “Venham, vamos refletir juntos”, diz o Senhor (Is 1:18). Deus nos convida a pensar junto com Ele! Esse texto, simples mas profundo, revela o desejo divino de construir uma relação com a humanidade fundamentada no uso da razão e no exercício da reflexão. Ao nos comunicarmos com Deus, Ele não deseja que deixemos de lado nossa capacidade de pensar; ao contrário, quer que a utilizemos.

Outra evidência de que a razão é indispensável em nossa comunicação com Deus está na forma como Ele escolheu se revelar a nós. Segundo a compreensão tradicional, há duas maneiras principais pelas quais Deus Se manifesta:

  1. Revelação geral – Deus revela aspectos de Seu caráter por meio da criação, ou seja da natureza, Suas leis e princípios. “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Rm 1:20). Para percebermos os traços divinos na natureza, é necessário raciocinar sobre Sua obra e refletir sobre ela.
  2. Revelação especial – Deus Se dá a conhecer de maneira mais precisa por meio da Bíblia, que descreve Seus atributos e Seu relacionamento com a humanidade. Mas, para compreender plenamente essa revelação, também é indispensável a reflexão e o estudo.

Assim, nas duas formas de revelação, Deus nos convida a usar a razão para conhecê-Lo.

O uso da razão na comunhão com Deus também preserva nossa individualidade e garante a liberdade dos seres inteligentes. Deus não força nossa resposta à Sua manifestação; Ele espera que escolhamos, de forma consciente, nos relacionar com Ele. Essa consideração é expressa em Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” Aqui vemos que nossas dúvidas e questionamentos são bem-vindos; Deus sempre estará disposto a nos explicar e indicar o caminho, mas nunca nos obrigará a segui-Lo.

Diante dessas implicações, podemos concluir que qualquer experiência religiosa que não esteja fundamentada no uso da razão — ou que a suprima — não permitirá uma interação plena entre seres inteligentes e o Deus da Bíblia. Portanto, toda manifestação religiosa genuína deve promover a reflexão e o pensamento, conduzindo-nos a uma fé consciente e sólida.

Inspirado no livreto Fundamental Focus, produzido pelo ministério americano Genesis Road.