Quem é o Eu Sou? 9 – Um Deus que respeita sua criação.

Recentemente li um artigo que me chamou a atenção pelo comportamento inusitado que descrevia: homens japoneses estavam cada vez mais substituindo o relacionamento com mulheres reais por bonecas de silicone super-realistas. A essas “mulheres”, os proprietários dedicam tempo, compram joias e até as levam para passear. Em contrapartida, sentem-se livres para ter “relações” quando quiserem, sem o risco da rejeição. Segundo um dos adeptos, a escolha se deve ao fato de que, para ele, as mulheres japonesas “possuem um coração duro e são egoístas”.

Mas o que pensar sobre esse “relacionamento”? Não seria falta de respeito com a “mulher” de silicone usá-la como e quando quiser? A resposta é simples: não. Porque elas são bonecas! Não pensam, não sentem e não possuem vontade própria. Portanto, não faz sentido falar em respeito ou valorização nesse caso. No entanto, se o mesmo tratamento fosse aplicado a mulheres reais, certamente haveria protestos e manifestações de repúdio. Afinal, mulheres são seres livres, pensantes e dotados de dignidade, e por isso devem ser respeitadas.

E aqui está o ponto essencial: Deus faz isso conosco. Ele nos respeita e nos valoriza.

Ao nos criar, Deus nos dotou de características que refletem o Seu caráter. Somos seres livres e pensantes. Pensar significa avaliar, ponderar e decidir; e a liberdade nos dá o direito de escolher o caminho que desejarmos. Essas duas faculdades — razão e liberdade — são essenciais para a felicidade humana em todas as relações. Por exemplo, sem a liberdade de rejeitar, um relacionamento jamais poderia expressar plenamente o valor de ser escolhido.

Desde o princípio, Deus nos respeitou. Veja o que diz o texto:
“E o Senhor Deus ordenou ao homem: ‘Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá’” (Gn 2:16-17).

Apesar de ser uma ordem, o homem tinha plena possibilidade de escolher diferente — e, de fato, escolheu. Essa escolha abriu caminho para nossa condição atual: não mais totalmente livres, mas subjugados pelo egoísmo e pela insegurança. Seres feitos para amar não podem ser felizes em egoísmo.

O pecado enfraqueceu nossa liberdade e rompeu nossa relação com Deus. Mas Ele não nos abandonou! Mesmo que tenhamos escolhido o caminho errado, Deus — que é amor — assumiu como prioridade resolver nossa condição de infelicidade. Ele nos respeita demais para nos tratar como as bonecas japonesas são tratadas. Não poderia forçar o nosso amor, porque amor forçado não é amor.

E aqui surge a grande questão: como conquistar o amor de seres livres? A resposta é o plano da salvação. Um dos membros da Trindade aceitou reduzir-se à forma humana, para apresentar o caráter verdadeiro de Deus sem intermediários defeituosos, reconquistando nossa confiança e nosso amor. Ele nos buscou quando nós éramos os únicos culpados por nossa própria miséria. Só esse ato já é uma gigantesca prova de valorização.

Em Jesus temos a oportunidade única de conhecer a essência do Criador. O cristianismo apresenta um Deus que criou seres livres e pensantes, e que prova esse mesmo valor ao nos buscar, ao se adaptar às nossas limitações, e ao se revelar em uma linguagem acessível.

Diante disso, não seria um desrespeito rejeitar tão grande demonstração de amor? Mesmo que, no fim, alguém escolha não aceitá-lo, ao menos deveria permitir que Ele se apresente. Lendo a “carta de amor” que Deus deixou em sua Palavra e conhecendo Seu Filho, podemos descobrir quem Ele realmente é. Como declarou o próprio Jesus:

“Jesus respondeu: ‘Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?’” (Jo 14:9).

Portanto, não basta apenas ouvir falar de Deus. É preciso buscá-lo com sinceridade, conhecê-lo pessoalmente e então decidir se queremos ou não fazer parte dessa família de amor.

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

Publicado por

Rafael Christ Lopes

Cristão, professor de Física com doutorado em cosmologia, leitor de filosofia, teologia, filosofia e história da ciência, e agora iniciando na neurociência. Alguém que entende o cristianismo como a Verdade Absoluta que permite compreender e lidar com todas as questões importantes que nos cercam.

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