Quem é o Eu Sou? 1- Deus espera que você use a Razão

Segundo a Bíblia, os seres humanos se diferenciam de toda a criação por uma característica especial: foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Se considerarmos que a capacidade de julgar, avaliar e pesar evidências — ou seja, o uso da razão — é uma de nossas habilidades mais distintivas, podemos compreender que Aquele que nos criou segundo Sua imagem também é um ser cujo uso da razão é essencial à Sua natureza.

O cerne de toda experiência religiosa é estabelecer uma relação com o transcendental. Sendo nós e Deus seres racionais, surge a pergunta: como seres racionais se relacionam? A resposta pode ser iluminada pelo livro do profeta Isaías: “Venham, vamos refletir juntos”, diz o Senhor (Is 1:18). Deus nos convida a pensar junto com Ele! Esse texto, simples mas profundo, revela o desejo divino de construir uma relação com a humanidade fundamentada no uso da razão e no exercício da reflexão. Ao nos comunicarmos com Deus, Ele não deseja que deixemos de lado nossa capacidade de pensar; ao contrário, quer que a utilizemos.

Outra evidência de que a razão é indispensável em nossa comunicação com Deus está na forma como Ele escolheu se revelar a nós. Segundo a compreensão tradicional, há duas maneiras principais pelas quais Deus Se manifesta:

  1. Revelação geral – Deus revela aspectos de Seu caráter por meio da criação, ou seja da natureza, Suas leis e princípios. “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Rm 1:20). Para percebermos os traços divinos na natureza, é necessário raciocinar sobre Sua obra e refletir sobre ela.
  2. Revelação especial – Deus Se dá a conhecer de maneira mais precisa por meio da Bíblia, que descreve Seus atributos e Seu relacionamento com a humanidade. Mas, para compreender plenamente essa revelação, também é indispensável a reflexão e o estudo.

Assim, nas duas formas de revelação, Deus nos convida a usar a razão para conhecê-Lo.

O uso da razão na comunhão com Deus também preserva nossa individualidade e garante a liberdade dos seres inteligentes. Deus não força nossa resposta à Sua manifestação; Ele espera que escolhamos, de forma consciente, nos relacionar com Ele. Essa consideração é expressa em Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” Aqui vemos que nossas dúvidas e questionamentos são bem-vindos; Deus sempre estará disposto a nos explicar e indicar o caminho, mas nunca nos obrigará a segui-Lo.

Diante dessas implicações, podemos concluir que qualquer experiência religiosa que não esteja fundamentada no uso da razão — ou que a suprima — não permitirá uma interação plena entre seres inteligentes e o Deus da Bíblia. Portanto, toda manifestação religiosa genuína deve promover a reflexão e o pensamento, conduzindo-nos a uma fé consciente e sólida.

Inspirado no livreto Fundamental Focus, produzido pelo ministério americano Genesis Road.

Publicado por

Rafael Christ Lopes

Cristão, professor de Física com doutorado em cosmologia, leitor de filosofia, teologia, filosofia e história da ciência, e agora iniciando na neurociência. Alguém que entende o cristianismo como a Verdade Absoluta que permite compreender e lidar com todas as questões importantes que nos cercam.

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