Quem é o Eu Sou? 8 – Um Deus que põe ordem.

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Você já sentiu o prazer de ordenar ou organizar algo? A princípio, quando olhamos para o tamanho do caos que precisa ser arrumado, bate certo desânimo. No meu caso, por exemplo, ao final de um semestre letivo, depois de tantas aulas preparadas e projetos desenvolvidos, tanto meu escritório quanto meu computador precisam ser limpos e organizados. No começo eu resisto um pouco, mas, ao concluir a tarefa, sinto uma satisfação profunda e uma admiração pelo resultado que faz todo o esforço valer a pena.

Mas por que valorizamos tanto a ordem? Por que estamos constantemente em busca de catalogar, organizar e estruturar locais, objetos e atividades? É verdade que a ordem promove eficiência e produtividade, mas creio que há algo além: existe uma beleza inerente na ordem que inspira e desperta admiração no coração humano. Essa beleza parece estar incutida em nossa própria natureza, levando-nos a buscar, identificar e valorizar a ordem. Além disso, a ordem transmite bem-estar e senso de controle, motivando-nos a seguir em frente. De onde vem essa necessidade e prazer pela ordem? O cristianismo oferece uma resposta: explica a origem dessa característica humana e revela um aspecto essencial do caráter de Deus.

Segundo a Bíblia, fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Podemos, então, presumir que nossa admiração e busca pela ordem são reflexos do caráter divino em nós. Essa ideia encontra apoio em diversas passagens bíblicas, especialmente no relato da criação. Antes de Deus preparar a Terra para a vida, “ela estava sem forma e vazia” (Gn 1:2), em um estado caótico e sem propósito. Nos três primeiros dias, Deus organiza a Terra, criando luz, separando oceanos e estabelecendo a terra seca com vegetação. Esses atos preparatórios criam espaços a serem preenchidos. Nos três dias seguintes, Deus os povoa: Sol, Lua e estrelas; peixes e aves; animais e, por fim, o homem. O sétimo dia é separado não para criar, mas para celebrar a comunhão entre o ser humano e seu Deus. Esse padrão mostra o caráter ordenador do Criador, que organiza tudo com propósito e encaixa cada elemento em seu devido lugar. Deus prepara o presente para receber o futuro.

O mesmo acontece na criação do homem. Deus molda o pó da terra, uma substância sem forma e sem finalidade, e a transforma em um ser racional, portador de sua imagem (Gn 2:7). Esse é o maior milagre: do caos, surge um ser capaz de pensar, sentir, escolher e amar. Séculos mais tarde, Deus novamente revelou seu caráter ordenador ao libertar Israel da escravidão do Egito. Aquele povo, sem identidade e esmagado por séculos de opressão, foi transformado em uma nação estruturada, com um sofisticado sistema de adoração, leis civis e sanitárias. Tudo isso confirma a declaração: “O domínio e o temor pertencem a Deus; ele impõe ordem nas alturas que a ele pertencem” (Jó 25:2).

Na plenitude dos tempos, Jesus revelou o caráter do Deus que ordena vidas. Ele reuniu homens rudes, em sua maioria iletrados, sem maiores ambições além da subsistência de suas famílias, e os transformou em líderes de um movimento destinado a levar ao mundo a mensagem de amor, poder e misericórdia de Deus. Isso revela que o Senhor não apenas organiza a matéria inanimada, mas também é o reordenador de vidas humanas, dando-lhes propósito e sentido.

Reconhecer que Deus é um Deus de ordem nos leva a uma certeza: ninguém melhor do que Ele pode organizar o caos em que muitas vezes vivemos. Sabe aqueles momentos em que sua vida parece mais emaranhada que um carretel de linha bagunçado nas mãos de uma criança? Ou quando você olha para si mesmo e se sente “sem forma e vazio”? É exatamente aí que Deus age. Ele chega, organiza e dá vida ao que antes era trevas, caos e desordem.

Portanto, até que o ser humano seja capaz de pegar um punhado de barro e transformá-lo em alguém capaz de amar, sempre haverá um candidato melhor para ser o ordenador de vidas. Esse candidato tem nome: Jesus!

Inspirado no livreto: “Fundamental Focus” produzido pelo ministério americano “Genesis Road” .

 

 

Publicado por

Rafael Christ Lopes

Cristão, professor de Física com doutorado em cosmologia, leitor de filosofia, teologia, filosofia e história da ciência, e agora iniciando na neurociência. Alguém que entende o cristianismo como a Verdade Absoluta que permite compreender e lidar com todas as questões importantes que nos cercam.

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